ARICA

Avião com migrantes bloqueados na fronteira Chile-Peru segue para a Venezuela

Centenas de migrantes, principalmente venezuelanos, estavam na fronteira norte do Chile com a intenção de abandonar o país

Por Agências
Publicado em 07 de maio de 2023 | 11:29
 
 
 

Um avião com mais de 100 migrantes venezuelanos decolou neste domingo (7/05) do norte do Chile, em um voo de repatriação de pessoas que estavam retidas há mais de duas semanas na fronteira com o Peru.

Centenas de migrantes, principalmente venezuelanos, estavam na fronteira norte do Chile com a intenção de abandonar o país, depois da adoção de regras mais rígidas de controle migratório.

O Peru, no entanto, impedia a passagem alegando falta de documentação. O país militarizou as fronteiras por 60 dias para reforçar a vigilância e enfrentar a insegurança associada aos estrangeiros, conforme a presidente Dina Boluarte.

O voo para a Venezuela, que decolou da cidade de Arica, quase 2.000 km ao norte de Santiago, foi realizado com uma companhia aérea privada, e não com a pública venezuelana Conviasa. A iniciativa é parte do programa "Retorno à Pátria", estimulada pelo governo de Nicolás Maduro.

"O que acontece neste momento se deve à coordenação dos diferentes setores", declarou o delegado do governo chileno, Ricardo Sanzana, em Arica. Ele confirmou que o avião partiu às 5h40 (6h40 de Brasília).

No avião embarcaram 115 venezuelanos que aguardavam há mais de duas semanas na passagem de Chacalluta, na fronteira do Chile com o Peru. Algumas horas antes do voo, eles foram transferidos para abrigos em Arica.

"As leis do Chile dificultaram a nossa vida e tivemos que tomar a decisão de retornar", declarou David Molina, 32 anos, um dos migrantes no voo.

As autoridades chilenas afirmaram que este é foi o primeiro voo de repatriação. Outros aviões devem decolar nos próximos dias, mas não necessariamente de Arica.

"Há uma determinação firme do governo do presidente Gabriel Boric para encarregar-se da migração em todos os seus sentidos, de maneira ordenada e segura", acrescentou o delegado presidencial.

Sanzana disse ainda que os próximos voos devem partir dos "locais onde as pessoas estão atualmente baseadas". 

O Chile já havia militarizado sua fronteira norte, em uma tentativa de controlar a entrada irregular de migrantes. Além disso, o Congresso aprovou leis que endurecem o controle migratório: uma determina a detenção de quem não apresentar documentação e outra amplia o prazo de detenção para possibilitar os trâmites de expulsão.

Outros migrantes venezuelanos permaneceram na fronteira norte do Chile. Eles querem deixar o território chileno, mas não pretendem retornar para seu país, uma situação parecida com migrantes colombianos, haitianos e equatorianos.

De acordo com a agência de refugiados da ONU, de 150 a 200 migrantes por dia, em média, ficam bloqueados entre países sul-americanos. (AFP)

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