Ataques

Bombardeios israelenses não respeitam nem abrigos com bandeira da ONU

Funcionário da ONU revelou 38 pessoas nesses abrigos, geralmente escolas, foram mortas em ataques

Por Agências
Publicado em 03 de novembro de 2023 | 15:36
 
 
 

A bandeira da ONU já não basta para proteger os 600.000 palestinos que se abrigaram nas escolas da organização na Faixa de Gaza, lamentou, nesta sexta-feira (3), um funcionário da ONU no terreno, que informou a morte de 38 pessoas nesses abrigos.

Enquanto a Faixa de Gaza é bombardeada sem trégua pelo Exército israelense desde o sangrento ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro, mais de 600.000 habitantes do território assediado refugiaram-se nas instalações da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA), principalmente escolas. 

"São pessoas que buscam proteção sob a bandeira da ONU, sob o direito internacional humanitário", comentou Thomas White, responsável da UNRWA para Gaza por videoconferência. "A realidade é que nem sequer podemos lhes proporcionar segurança da ONU", lamentou ante os Estados-membros das Nações Unidas, reunidos para escutar um relatório sobre a situação humanitária.

"Mais de 50 de nossas instalações se viram afetadas pelo conflito, entre elas, 5 de forma direta. Acredito que na última contagem, 38 pessoas morreram nos nossos abrigos", destacou, temendo que essa cifra "aumente significativamente", sobretudo no norte, onde a UNRWA não tem mais contato com muitas dessas instalações.

Apesar de tudo, as Nações Unidas "são hoje a única esperança para a população de Gaza", e "não quero que chegue o dia em que a bandeira da ONU deixe de balançar" nesse território. Gaza é "uma paisagem de morte e destruição", disse após visitar o território nas últimas semanas. 

Pelo menos 72 funcionários da UNRWA morreram desde 7 de outubro. Segundo um novo relatório publicado pelo Hamas nesta sexta-feira, 9.227 pessoas, entre elas 3.286 crianças, morreram em ataques israelenses contra a Faixa de Gaza nas últimas semanas. 

"E só Deus sabe quantas outras restam sem contar sob os escombros", apontou o chefe do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Martin Griffiths. "O sistema sanitário está de joelhos" e a UNRWA "está praticamente fora de combate". 

Em Israel, morreram, pelo menos, 1.400 pessoas, segundo as autoridades, desde o começo da guerra, a maioria civis assassinados no dia ataque do Hamas, que foi de uma escala e de uma violência sem precedentes desde a criação de Israel em 1948. Mais de 240 pessoas foram tomadas como reféns. "O que vimos se desenvolver nos últimos 26 dias em Israel e nos territórios ocupados nada mais é do que uma mancha em nossa consciência coletiva", comentou Martin Griffiths. (AFP)

Notícias exclusivas e ilimitadas

O TEMPO reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.

Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar. Fique bem informado!