Pacto

China apresenta compromisso para salvar a biodiversidade

Não é um documento perfeito, nem um documento que deixa todos felizes, mas é um documento baseado nos esforços de todos nós nos últimos quatro anos, disse Huang Rinqiu, ministro do Meio Ambiente da China.

Por Agências
Publicado em 18 de dezembro de 2022 | 08:43
 
 
 
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A China, que presidiu uma cúpula de alto risco sobre biodiversidade em Montreal, deve revelar uma promessa há muito esperada e urgentemente necessária neste domingo, em uma tentativa de selar um "pacto de paz com a natureza". 

Mais de dez dias de negociações tensas sobre biodiversidade parecem estar chegando ao momento crucial, já que os delegados estão prestes a discutir o projeto de acordo de compromisso. 

"Não é um documento perfeito, nem um documento que deixa todos felizes, mas é um documento baseado nos esforços de todos nós nos últimos quatro anos", disse Huang Rinqiu, ministro do Meio Ambiente da China. 

"É um documento que deve ser adotado nesta cúpula e é muito aguardado pela comunidade internacional", acrescentou. 

Observadores alertaram que a COP15 poderia entrar em colapso durante as discussões dos países sobre quanto as nações mais ricas deveriam pagar para financiar os esforços das nações em desenvolvimento, depois que estas deixaram as negociações. Mas os líderes da conferência no sábado estavam otimistas sobre chegar a um acordo.

Huang disse estar "muito confiante" em chegar a um consenso, enquanto seu homólogo canadense, Steven Guilbeault, disse que "um tremendo progresso" foi feito. 

Huang disse que publicará um rascunho do acordo às 08:00 hora local (10h00 em Brasília) no domingo e ouvirá os comentários dos principais delegados depois. 

As negociações duram oficialmente até segunda-feira, dia 19, mas serão estendidas se necessário. 

“Agora não é hora de pequenas decisões, vamos para grandes!”, tuitou o presidente francês Emmanuel Macron no sábado. "Vamos trabalhar juntos para alcançar o acordo mais ambicioso possível. O mundo depende disso."

Um milhão de espécies ameaçadas 

Os enviados dos países trabalham para reverter a destruição do habitat, a poluição e a crise climática que ameaça de extinção cerca de um milhão de espécies de plantas e animais, de acordo com cientistas que relatam às Nações Unidas. 

O texto final deve ser um roteiro para os países até 2030, depois que o último plano de 10 anos assinado no Japão, em 2010, não conseguiu atingir nenhum de seus objetivos, algo atribuído à falta de mecanismos para monitorar sua implementação. 

Entre os principais objetivos em discussão está o compromisso fundamental de proteger 30% dos espaços terrestres e marítimos até 2030. 

Os mais de vinte objetivos também abordam a redução de subsídios agrícolas que agridem o meio ambiente, obrigam as empresas a monitorar e divulgar seu impacto na natureza e estabelecem políticas sobre o problema de espécies invasoras, entre outros assuntos. 

As comunidades indígenas, que preservam 80% da biodiversidade, querem que seu direito de manejar suas terras seja incluído no acordo final.

"Somos nós que fazemos o trabalho. Protegemos a biodiversidade", disse Valentin Engobo, um líder comunitário de Lokolama, na Bacia do Congo. "Eles não vão nos substituir. Não vamos deixá-los."

O dinheiro importa 

A questão de quanto dinheiro os países do norte enviarão aos países do sul, que abrigam a maior parte da biodiversidade do mundo, tornou-se um grande ponto de discórdia. 

Vários países anunciaram novos compromissos. A União Europeia prometeu 7 bilhões de euros (US$ 7,4 bilhões) até 2027, o dobro do compromisso anterior. 

Mas os ativistas e os países em desenvolvimento dizem que é necessário mais, e os delegados não chegaram a um acordo sobre a forma que os novos fluxos de financiamento devem assumir. 

O Brasil, em nome de um grande grupo de países em desenvolvimento, requer 100 bilhões de dólares por ano. 

"Poderemos especificar nossas ambições financeiras assim que tivermos visto o documento", disse à AFP o ministro francês do Meio Ambiente, Christophe Bechu, no sábado. 

"Um acordo no papel sem números pode ser pior do que nenhum acordo. Precisamos de um acordo ambicioso que seja quantificável e com datas e metas verificáveis." (AFP)

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