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Coreia do Sul chora as 154 vítimas da tragédia de Halloween

Número de mortos pode aumentar porque pelo menos 33 pessoas estão em estado crítico

Por Agência
Publicado em 31 de outubro de 2022 | 08:45
 
 
 

O presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol abriu nesta segunda-feira (31) um altar em memória das 154 pessoas mortas em um tumulto durante uma festa de Halloween, enquanto as autoridades enfrentam acusações de que a falta de controle policial causou o desastre. Depois que o presidente e sua esposa colocaram flores brancas no enorme altar construído em Seul para as vítimas do desastre de sábado, em sua maioria mulheres jovens, o público começou a chegar. Um homem ajoelhou-se diante do altar coberto de flores e chorou. 

Em um memorial improvisado próximo a uma estação de metrô no popular bairro de Itaewon, onde ocorreu a tragédia, as pessoas pararam para rezar e colocar flores. Enquanto isso, a imprensa e as redes sociais começaram a divulgar pedidos crescentes de responsabilização, devido às falhas no controle da multidão.

Quase 100.000 pessoas, a maioria jovens fantasiados para o Halloween, reuniram-se nos becos pequenos e sinuosos de Itaewon. Testemunhas citando falta de segurança e de controle das multidões.  A polícia afirmou nesta segunda-feira que enviou 137 policiais para o local, um número que alega ser maior do que em anos anteriores. Mas relatos locais indicaram que os policiais enviados estavam mais focados em vigiar o uso de drogas do que no controle de multidões. 

"Este foi um desastre que poderia ter sido evitado", disse Lee Young-ju, professor do Departamento de Incêndios e Desastres da Universidade de Seul, à televisão YTN. Nas redes sociais, muitas pessoas reclamaram que a polícia este ano não controlou a multidão e permitiu que muitas pessoas se reunissem em torno da estação de metrô e no beco que foi o epicentro do desastre. 

"Moro em Itaewon há 10 anos e todos os anos há uma festa de Halloween, a de ontem não foi maior do que nos anos anteriores", escreveu o usuário do Twitter @isakchoi312.  "Acho que a causa do desastre foi (falta de) controle de multidões", acrescentou. Mas no domingo o governo defendeu o plano da polícia.

"Não foi um problema que teria sido resolvido enviando policiais ou bombeiros com antecedência", disse o ministro do Interior, Lee Sang-min, à imprensa. A Coreia do Sul costuma ser eficiente no controle de multidões e os protestos costumam ter tanta presença policial a ponto de superar os manifestantes. Mas os organizadores dos protestos devem informar as autoridades com antecedência, o que não é o caso quando os jovens chegam para comemorar em Itaewon.

Caos e medo 

Dezenas de milhares de pessoas lotaram um beco íngreme de não mais de três metros de largura, e testemunhas relataram cenas de caos enquanto as pessoas passavam umas pelas outras, sem a polícia no local para guiar a multidão. Segundo testemunhas, pessoas ficaram presas no beco e tentaram sair, com algumas subindo em cima das outras. 

A maioria dos 154 mortos, incluindo 26 estrangeiros, foi identificada até domingo. Mas o número de mortos pode aumentar porque pelo menos 33 pessoas estão em estado crítico. O país iniciou uma semana de luto nacional, com eventos e shows cancelados e bandeiras hasteadas a meio mastro. (AFP)

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