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Elon Musk pretende começar testes de chips cerebrais em humanos já em 2023

Do tamanho de uma moeda, o dispositivo ainda estará em fase de testes; o objetivo é facilitar a interação direta entre o cérebro e o computador

Por Agências
Publicado em 01 de dezembro de 2022 | 17:37
 
 
 
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Em um evento público online da Neuralink nesta quarta-feira (30), o CEO Elon Musk afirmou que a empresa deve implantar seu primeiro chip no cérebro de um ser humano em menos de seis meses.

Do tamanho de uma moeda, o chip ainda estará em fase de testes. Caso dê certo, o objetivo é facilitar a interação direta entre cérbero e computador, além de desenvolver tratamentos para que deficientes visuais voltem a enxergar e pessoas com tetraplegia voltem a andar e mover os braços.

Segundo o empresário, parte dos documentos necessários para oinício dos testes já foram entregues à Food and Drug Administration, agência federal norte-americana que regula as atividades envolvendo saúde pública.

Musk também apresentou o progresso dos testes que vêm sendo realizados em macacos e porcos. Os porcos também receberam eletrodos na medula espinhal, para estabelecer a comunicação entre os dois dispositivos.

Assim, o chip conseguiu fazer a leitura dos comandos cerebrais e os enviar para os eletrodos, possibilitando o controle de diferentes movimentos das pernas do animal. Os eletrodos também fizeram o caminho inverso: foram capazes de entender sinais sensoriais na extremidade das patas e os enviar para o cérebro.

Já nos macacos, o chip cerebral foi implantado com uma câmera acoplada no córtex visual. Ele conseguiu capturar e armazenar flashes visuais que o animal interpretou como se estivesse em locais diferentes.

Em outros testes, os macacos também jogaram o tradicional jogo de videogame Pong, seguiram instruções e foram capazes de digitar em um teclado virtual sob o comando do cérebro, sem usar as mãos.

Chips mais potentes para melhorar a performance

O chip de primeira geração, batizado de N1, utiliza 1.024 eletrodos, mas a Neuralink exibiu modelos da próxima geração, que devem ter mais de 16 mil eletrodos. O aumento pretende melhorar a performance.

"Se você colocar um dispositivo em ambos os lados do córtex visual, isso lhe daria 32 mil pontos de luz para criar uma imagem em alguém cego, por exemplo", disse o pesquisador Dan Adams. Ele é um dos responsáveis por desenvolver a tecnologia que embala os dados da câmera em um formato compatível com o cérebro e os canaliza diretamente para o córtex visual.


Musk quer que todos usem os dispositivos

Os objetivos de Musk vão muito mais do que apenas as causas nobres que citou. A empresa quer produzir esses dispositivos em larga escala para popularizar seu uso.

O próprio Musk afirmou que pretende implantar um. O objetivo é que boa parte da população consiga fazer o cérebro interagir diretamente com computadores super inteligentes.

"A produção é difícil. Eu diria que é de 100 a 1000 vezes mais difícil passar de um protótipo para um dispositivo que seja seguro, confiável, funcione sob uma ampla gama de circunstâncias, seja acessível e seja feito em escala", disse Musk.

O empresário está tão ciente da dificuldade que, paralelamente, a empresa está desenvolvendo um robô, batizado de R1, capaz de introduzir chips sem danificar vasos sanguíneos. Outra máquina ainda está sendo projetada para lidar com várias cirurgias ao mesmo tempo, sem a necessidade de cortar o crânio.

"Não há muitos neurocirurgiões (...) Para fazermos o melhor e termos um procedimento barato e acessível, precisamos descobrir como um neurocirurgião pode supervisionar muitos procedimentos ao mesmo tempo", disse Christine Odabashian, que lidera a equipe de engenharia cirúrgica da Neuralink.

Além dos desafios técnicos e tecnológicos, a empresa deve enfrentar uma batalha contra marcos regulatórios e éticos. A comunidade científica já sinalizou que, nas pesquisas que vêm sendo realizadas pela Neuralink, ainda há muitas falhas e muitas perguntas sem respostas.

Entre elas, por exemplo, o que será feito se um cérebro for invadido por um hacker ou infectado por um vírus de computador. Há ainda polêmicas sobre a possível pirataria de chips para aqueles que não puderem pagar pelo produto original; e sobre a posse, o controle e a fiscalização dos dados transferidos do cérebro para os computadores.

(Rosália Vasconcelos/Folhapress)

 

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