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Espanha inicia, 25 anos depois, julgamento do pior desastre ambiental do país

Em 1998, o rompimento do dique de uma represa de rejeitos provocou o vazamento de mais de 5 milhões de metros cúbicos de lama contaminada com metais pesados em um rio

Por Agências
Publicado em 04 de julho de 2023 | 17:29
 
 
 
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O julgamento sobre o vazamento de lama tóxica da mina do grupo sueco Boliden, em Aznalcóllar (Andaluzia, sul), começou, nesta terça-feira (4), na Justiça espanhola 25 anos depois deste desastre ambiental, um dos piores da Espanha.

O julgamento, realizado em um juizado civil de Sevilha, ocorre após anos de processos judiciais criminais que terminaram em 2002 com o arquivamento das ações apresentadas contra o grupo.

Em 25 de abril de 1998, o rompimento do dique de uma represa de rejeitos desta mina a céu aberto provocou o vazamento em um rio próximo de mais de cinco milhões de metros cúbicos de lama contaminada com metais pesados, como arsênio, cádmio e mercúrio.

Dezenas de toneladas de peixes morreram e cerca de 5.000 hectares dos arredores ficaram contaminados por estes rejeitos, que chegaram a afetar o parque nacional de Doñana, uma joia da biodiversidade, reconhecida pela Unesco.

O grupo Boliden sempre negou responsabilidade no acidente e culpou uma filial da empreiteira espanhola Dragados, que construiu a represa. "Assumimos uma grande responsabilidade na limpeza do acidente e, consequentemente, a ação deveria ser arquivada", disse um porta-voz da empresa sueca à AFP.

Este desastre ambiental foi o segundo pior registrado na Espanha, depois da maré negra provocada pelo petroleiro "Prestige", em 2002.

A região da Analuzia, onde fica Aznalcóllar, decidiu interpor uma ação civil em 2002, depois que foram desconsideradas as denúncias penais apresentadas por seus departamentos, pelo governo espanhol e ONGs como a Ecologistas en Acción. 

A Boliden apresentou, então, uma série de recursos, mas o Tribunal Supremo finalmente se pronunciou em 2012, ordenando o reinício da investigação, que desde então foi bloqueada por novos recursos da empresa.

As autoridades regionais da Andaluzia manifestaram, em nota, o desejo de "que seja feita justiça sobre um dos maiores desastres ecológicos que a Europa conheceu", e pedem 89 milhões de euros (R$ 466 milhões, na cotação atual) da multinacional sueca - valor que custou a limpeza da área.

No âmbito administrativo, em agosto de 2002, a empresa foi multada em mais de 45 milhões de euros (R$ 235,7 milhões) pelo governo espanhol - um valor que a companhia se recusou a pagar na falta de uma condenação judicial. (AFP)

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