Em alerta

Espanha registra onda de cartas-bomba com primeiro-ministro como um dos alvos

Gabinete de Pedro Sánchez teria recebido em envelope com material pirotécnico; um agente de segurança também ficou ferido ao abrir o envelope endereçado ao embaixador Serhii Pohoreltsev

Por Agências
Publicado em 01 de dezembro de 2022 | 21:33
 
 
 
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O Ministério do Interior da Espanha anunciou nesta quinta-feira (1º) um reforço nos sistemas de segurança de prédios públicos e diplomáticos depois que uma série de cartas-bomba foi enviada a alvos como o primeiro-ministro Pedro Sánchez e a embaixada da Ucrânia em Madri.

Um agente de segurança do posto diplomático ucraniano ficou ferido ao abrir o envelope endereçado ao embaixador Serhii Pohoreltsev. Já o gabinete de Sánchez teria recebido em "envelope com material pirotécnico" em 24 de novembro, mas o artefato foi identificado e desativado por sua equipe.

Segundo o Ministério do Interior, evidências indicam que todos os pacotes foram enviados de dentro da Espanha. A pasta informou ainda que até agora não vê razões para elevar o nível de ameaça terrorista.

Em entrevista ao site European Pravda, Pohoreltsev disse que um comandante ucraniano da embaixada recebeu o pacote e teve suspeitas sobre o conteúdo. Por esse motivo, decidiu levá-lo a um ambiente externo, sem ninguém por perto, e abri-lo.

"Após abrir a caixa e ouvir um clique que se seguiu, ele a jogou e ouviu a explosão. Apesar de não segurar a caixa no momento da explosão, o comandante machucou as mãos e sofreu uma concussão", disse o embaixador, que acusou veladamente a Rússia pelo incidente. "Conhecemos os métodos terroristas do país agressor."

Ainda na quarta, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmitro Kuleba, determinou que todas as embaixadas do país reforcem o esquema de segurança com urgência. O porta-voz da chancelaria, em nota, pediu que a Espanha investigue o atentado e alegou que os autores do ataque "não conseguirão intimidar os diplomatas ucranianos ou interromper o trabalho para fortalecer a Ucrânia e combater a agressão russa".

A embaixada da Rússia na Espanha divulgou comunicado no Twitter em que afirma que "qualquer ameaça ou ato terrorista, especialmente dirigidos contra uma missão diplomática, são totalmente condenáveis".

Os casos se somam a pelo menos outros quatro em circunstâncias parecidas. Ainda na quarta-feira, a fabricante de armas Instalaza recebeu um pacote semelhante. A empresa privada, com sede em Zaragoza, a mais de 300 km de Madri, fabrica o lançador de foguetes C90, equipamento de guerra doado pela Espanha à Ucrânia para combater a invasão russa.

Na manhã desta quinta, outro dispositivo foi interceptado em uma base aérea em Torrejón de Ardoz, na província de Madri. O destinatário era um centro de satélites da União Europeia, já descrito por Josep Borrell, espanhol que chefia a diplomacia do bloco, como "os olhos da Europa".

O centro é uma das bases de política externa e de segurança da UE, reunindo dispositivos de inteligência espacial. Segundo o Ministério da Defesa, oficiais de segurança da Força Aérea examinaram o envelope por raio-x e identificaram o que foi descrito como um mecanismo.

Um quinto artefato foi enviado ao prédio do Ministério da Defesa da Espanha, também na capital espanhola, endereçado à chefe da pasta, Margarita Robles. A sexta carta-bomba tinha como alvo a embaixada dos EUA em Madri e também foi interceptada pelos filtros de segurança.

Fontes próximas à investigação em andamento disseram à agência de notícias Reuters que as correspondências pareciam seguir o mesmo padrão. Estavam em envelopes marrons endereçados aos chefes de cada instituição e continham pólvora ligada a um sistema de ignição elétrica que a faria queimar em vez de explodir.

Segundo as mesmas fontes, os Correios, que são uma empresa estatal, receberam uma solicitação para fazer uma pré-triagem em todos os envelopes com características semelhantes. Com exceção do explosivo enviado à embaixada da Ucrânia, todos os outros foram previamente identificados, não chegaram a explodir e, portanto, não provocaram ferimentos.

Não estão claras as motivações e as autorias dos ataques. Os casos estão sendo investigados pela Suprema Corte da Espanha, especializada em crimes de terrorismo.

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