Catástrofes

Inundações na Índia deixam 14 mortos e mais de 100 desaparecidos

Vinte e dois soldados estão entre os que ainda não foram encontrados

Por Agência
Publicado em 05 de outubro de 2023 | 10:52
 
 
 
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Ao menos 14 pessoas morreram, e 102 continuam desaparecidas, após a cheia em um lago glacial que provocou inundações no nordeste da Índia, onde prosseguem os trabalhos de resgate, informaram as autoridades locais nesta quinta-feira (5). O balanço foi confirmado à AFP por Prabhakar Rai, diretor da agência de gestão de catástrofes do estado de Sikkim. Vinte e dois soldados estão entre os desaparecidos.

As Forças Armadas tentam restabelecer as conexões telefônicas e transportar "ajuda médica aos turistas e moradores bloqueados", afirma um comunicado do governo local. A área afetada, em uma região montanhosa e remota do Himalaia, fica perto das fronteiras com Nepal e China. 

A inundação foi provocada pela cheia do lago Lhonak, que fica na base de uma geleira nos picos nevados que cercam a Kangchenjunga, terceira maior montanha do mundo.

Uma torrente de água avançou rio abaixo, em um local que já estava em um momento de cheia, devido às monções, o que atingiu uma barragem e arrastou casas e pontes, provocando "grave destruição", segundo um comunicado do governo.

As rodovias foram danificadas, e 14 pontes desabaram na região. O Exército informou que quatro distritos do estado foram atingidos. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, afirmou que as pessoas afetadas receberão "todo o apoio possível".

O lago perdeu quase dois terços de seu tamanho devido à cheia, uma área equivalente a 150 campos de futebol, segundo imagens de satélite divulgadas pela Organização Indiana de Pesquisa Espacial.

As inundações e deslizamentos de terra são frequentes e devastadores na Índia, em particular durante a temporada de monções. Mas, em outubro, geralmente, as chuvas já chegaram ao fim.

Catástrofes mais frequentes 

As inundações provocadas por cheias em lagos glaciais, muitas vezes acompanhadas por deslizamentos de rochas, ficaram mais frequentes devido ao aumento da temperatura global.

"Observamos que a frequência dos eventos extremos aumenta à medida que o clima continua esquentando e nos arrasta para um território desconhecido", destacou Miriam Jackson, cientista especializada na análise das superfícies congeladas do Himalaia, em um comunicado do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD).

A temperatura média na superfície terrestre aumentou quase 1,2°C na comparação com o período pré-industrial, mas as regiões montanhosas registram um ritmo de aquecimento 10 vezes superior, segundo os cientistas.

Os especialistas afirmam que a mudança climática aumentou a intensidade das tempestades tropicais, com chuvas mais abundantes, responsáveis por inundações repentinas.

O derretimento das geleiras do Himalaia também aumenta o fluxo dos cursos de água, ao mesmo tempo que as construções que não respeitam as normas de segurança em áreas vulneráveis a inundações colocam em risco a população local.

Entre 2011 e 2020, as geleiras do Himalaia derreteram 65% mais rápido que na década anterior, segundo um relatório publicado em junho pelo ICIMOD. (AFP) 

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