Pontificado

Morte de Bento XVI: Renúncia do papa foi um momento histórico da Igreja Católica

Decisão de Bento XVI marcou pontificado, concluído em 2013

Por Bárbara Ribeiro*
Publicado em 31 de dezembro de 2022 | 10:20
 
 
 

O pontificado de Bento XVI, que faleceu, neste sábado (31/12), aos 95 anos de idade, foi marcado pela renúncia, em 2013, e entrou para história da Igreja Católica. Desde de 1415,  com a abdicação de Gregório XII, a Igreja Católica não tinha visto outro Papa renunciar voluntariamente.

“Dei este passo com plena consciência da sua gravidade e também novidade, mas com uma profunda serenidade de espírito”, declarou o Papa Bento XVI, em italiano, em sua última audiência pública no dia 27 de fevereiro de 2013.

Em seu discurso, o Papa Bento XVI fez uma espécie de balanço dos quase oito anos de pontificado, “um pedaço de caminho da Igreja que teve momentos de alegria e luz, mas também momentos não fáceis”.

“Senti-me como São Pedro com os Apóstolos na barca no lago da Galileia: o Senhor deu-nos muitos dias de sol e brisa suave, dias em que a pesca foi abundante; mas houve também momentos em que as águas estavam agitadas e o vento contrário – como, aliás, em toda a história da Igreja – e o Senhor parecia dormir. Contudo, sempre soube que, naquela barca, está o Senhor; e sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas é dele. E o Senhor não a deixa afundar”, disse.

Em abril de 2009, Bento XVI realizou um gesto simbólico ao depositar o pálio – uma espécie de insígnia pessoal e de autoridade – junto da porta santa da Basílica de Collemaggio, de L’Aquila (Itália), que lhe fora imposto no dia do início de pontificado, em cima do relicário com os restos mortais do Papa Celestino V (1215-1296), pontífice que governou a Igreja Católica apenas durante uns meses, em 1294.

Ambrogio Piazzoni, autor da obra ‘A história das eleições papais’, explica que nem todas as situações dos bispos de Roma que abdicaram do pontificado são iguais: “Alguns [saíram] mais ou menos obrigados, outros de livre vontade”.

Bento XVI foi o primeiro a renunciar voluntariamente, mas não foi o primeiro Papa a sair do cargo

O primeiro papa a sair do pontificado foi o Ponciano, em 235, condenado a trabalhos forçados na “minas de metal” da Sardenha, seguindo-se Silvério, no ano de 537, obrigado a abdicar por Belisário, general bizantino, e exilado para a Ásia Menor.

São Martinho I, eleito em julho de 649, foi exilado após julgamento em Constantinopla, situação que alguns consideram como renúncia.

Outros casos são o de João XVIII, que terminou o pontificado em 1009 e o de Bento IX, em 1044, que renunciou voluntariamente, mas voltou a ser Papa noutro período.

São Celestino V, eleito após um longo período de Sé vacante, levou a cabo uma “investigação jurídica” sobre a possibilidade de renúncia do Papa, antes de apresentar a sua resignação, cinco meses após a sua eleição, em 1294.

O último caso antes da renúncia de Bento XVI tinha sido o de Gregório XII, em 1415, no Concílio de Constança (Alemanha), abrindo caminho à eleição de Martinho V para resolver o cisma do Ocidente, divisão entre católicos que obedeciam ao Papa de Roma e ao ‘antipapa’ de Avinhão, fomentada por questões políticas.

No total, em mais de 260 Papas, as situações que podem configurar uma abdicação acontecem menos de uma vez a cada 30 pontificados.

O Código de Direito Canónico, prevê a possibilidade jurídica de renúncia por parte do Papa e esta renúncia não precisa de ser aceite por ninguém para ter validade, como indica o Cânone 332.

Por que o papa Bento XVI renunciou?

Bento XVI anunciou a sua decisão de renunciar ao pontificado a 11 de fevereiro de 2013, num encontro com cardeais, no Vaticano.

Em sua declaração oficial de renúncia, o papa Benedito creditou sua saída à fragilidade de sua idade avançada e às exigências físicas e mentais do cargo.

“Cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino”, referiu, em latim.
 

(Com infomações da agência Ecclesia)

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