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Netanyahu insiste que não haverá paz na Faixa de Gaza sem a destruição do Hamas

Guerra provocou uma grande destruição no território palestino e os 2,4 milhões de habitantes sofrem com a escassez de água, comida, combustível e remédios

Por Agências
Publicado em 26 de dezembro de 2023 | 09:08
 
 
 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, insistiu que só haverá paz na Faixa de Gaza com a destruição do Hamas e a desmilitarização do território palestino, depois de prometer intensificar a campanha contra o grupo islamista.

Ao mesmo tempo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que seus funcionários visitaram na segunda-feira um hospital em Gaza que recebia vítimas dos bombardeios contra um campo de refugiados e ouviram relatos "comoventes" de famílias inteiras mortas.

Os bombardeios implacáveis de Israel no território palestino agravaram as péssimas condições de vida dos civis em Gaza e o conflito aumentou as tensões no Oriente Médio, enquanto cresce a pressão por um cessar-fogo.

Netanyahu, no entanto, prometeu manter o atual rumo do conflito em curso, em um artigo de opinião publicado no Wall Street Journal. "O Hamas deve ser destruído, Gaza deve ser desmilitarizada e a sociedade palestina deve ser desradicalizada. Estes são os três requisitos para a paz entre Israel e seus vizinhos palestinos en Gaza", escreveu.

A desmilitarização "vai exigir o estabelecimento de uma zona de segurança temporária no perímetro" do território, acrescentou. "No futuro imediato, Israel deverá manter uma responsabilidade predominante pela segurança em Gaza".

Ao comentar a 'desradicalização', Netanyahu escreveu que "as escolas devem ensinar as crianças a apreciar a vida e não a morte, e os imãs devem parar de pregar o assassinato de judeus". Netanyahu visitou Gaza na segunda-feira e afirmou, durante uma reunião do partido Likud, que o país "não vai parar".

"Vamos intensificar os combates nos próximos dias", destacou, segundo um comunicado do Likud. A guerra começou quando combatentes do Hamas invadiram o território israelense em 7 de outubro e mataram quase 1.140 pessoas, a maioria civis, de acordo com balanço baseado em dados israelenses. Entre as vítimas estavam mais de 300 militares.

Também sequestraram 240 pessoas, segundo Israel.Em resposta, Israel prometeu "aniquilar" o Hamas e iniciou uma campanha militar, incluindo bombardeios intensos, que já deixou mais de 20.600 mortos, a maioria mulheres e menores de idade, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.

Quatro grandes bombardeios israelenses executados desde domingo mataram mais de 100 pessoas, segundo o ministério. Netanyahu disse ao Likud que pretende promover a migração voluntária de palestinos de Gaza.

"Projeto absurdo" 

"Nosso problema não é saber se uma saída deve ser autorizada, mas se haverá países dispostos a recebê-los", acrescentou. O Hamas chamou a ideia de "projeto absurdo".

Os palestinos "se negam a ser deportados e deslocados. Não pode haver exílio e não há outra opção exceto permanecer na nossa terra", respondeu o movimento em um comunicado.

Em Gaza, a guerra provocou uma grande destruição e seus 2,4 milhões de habitantes sofrem com a escassez de água, comida, combustível e remédios, devido ao cerco imposto por Israel dois dias após o ataque do Hamas. 

Funcionários da OMS visitaram na segunda-feira um hospital que atendia vítimas de um ataque no domingo contra o campo de refugiados de Al Maghazi, onde morreram 70 pessoas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. A AFP não conseguiu comprovar o número com fontes independentes.

"A equipe da OMS ouviu depoimentos comoventes da equipe médica e das vítimas sobre os sofrimentos infligidos pelas explosões", afirmou o diretor da ONU, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na rede social X.

"Uma criança perdeu toda a sua família no bombardeio ao campo. Uma enfermeira do hospital sofreu a mesma perda, toda a sua família morreu", acrescentou. No hospital Al-Aqsa de Deir al-Balah, no centro da Faixa, muitos corpos estavam alinhados em sacos mortuários brancos antes de um sepultamento coletivo.

Zeyad Awad, morador de Al-Maghazi, disse que eles não receberam o alerta de bombardeio, que provocou uma "destruição enorme e pânico nos corações dos meus filhos".

O Exército de Israel afirmou à reportagem que estava "investigando o incidente" e que está "comprometido com o direito internacional, incluindo a adoção de passos concretos para minimizar os danos aos civis".

"Fome de verdade"

Israel enfrenta uma pressão crescente, inclusive de aliados, para proteger os civis em sua campanha contra o Hamas. O papa Francisco denunciou em sua mensagem de Natal "a situação humanitária desesperadora" dos palestinos de Gaza e pediu um cessar-fogo.

Com recipientes vazios, dezenas de habitantes de Gaza aguardavam na cidade de Rafah, no sul, pela distribuição de alimentos. "Agora existe fome de verdade. Meus filhos estão morrendo de fome", disse Nour Ismail, que estava na fila.

O chefe do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Filippo Grandi, afirmou que "a única solução é uma trégua humanitária" em Gaza.

Netanyahu também enfrenta a pressão das famílias dos 129 reféns que continuam sob poder do Hamas para obter a libertação de todos.

Muitos parentes de reféns interromperam o discurso do primeiro-ministro durante uma sessão especial do Parlamento dedicada aos reféns na segunda-feira.

Os manifestantes se reuniram perto do Ministério da Defesa em Tel Aviv com cartazes que exibiam frases como "Libertem nossos reféns agora - a qualquer custo".

Os temores de que o conflito provoque uma escalada regional aumentaram na segunda-feira, quando a Guarda Revolucionária do Irã acusou Israel de matar Razi Moussavi, considerado um dos principais conselheiros da unidade militar de elite, em um bombardeio na Síria.

Os rebeldes huthis apoiados pelo Irã prosseguem com os ataques contra navios de carga no Mar Vermelho, o que levou o governo dos Estados Unidos a formar uma força naval multinacional para proteger o transporte ao longo desta rota. (AFP) 

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