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ONU estima que reconstruir Gaza custará mais de R$ 150 bilhões

72% dos edifícios residenciais foram total ou parcialmente destruídos do território palestino

Por Agências
Publicado em 02 de maio de 2024 | 14:59
 
 
 

A ONU estimou, nesta quinta-feira (2), que a reconstrução da Faixa de Gaza, devastada por quase sete meses de guerra entre Israel e Hamas, custará entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões (entre R$ 153 bilhões e R$ 204 bilhões) e exigirá um esforço sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial.

"As estimativas iniciais do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) para a reconstrução da Faixa de Gaza são superiores a US$ 30 bilhões e podem chegar a US$ 40 bilhões", disse Abdallah al Dardari, diretor do escritório regional do Pnud para os Estados árabes, durante uma coletiva de imprensa em Amã. 

"A escala da destruição é enorme e sem precedentes... É uma missão com a qual a comunidade internacional não se depara desde a Segunda Guerra Mundial", acrescentou al-Dardari, que também atua como subsecretário-geral da ONU. 

Ele estimou que, se a reconstrução for realizada por meio do processo normal, ela poderá "levar décadas e o povo palestino não pode se dar ao luxo de esperar décadas". 

"É importante que ajamos rapidamente para realojar a população em locais decentes e restaurar sua vida normal em termos econômicos, sociais, de saúde e educacionais", disse al-Dardari, que afirmou que isso deve ser feito "nos primeiros três anos após o fim das hostilidades".

PIB em queda

O funcionário disse que "72% dos edifícios residenciais foram total ou parcialmente destruídos" na Faixa de Gaza, onde vivem 2,4 milhões de palestinos. 

"O Índice de Desenvolvimento Humano em Gaza, em todos os seus aspectos e especialmente em saúde, educação, economia e infraestrutura, regrediu 40 anos. Quarenta anos de esforço e investimento viraram fumaça", explicou. 

"A reconstrução deve ser planejada com cuidado e eficácia e de forma altamente flexível, pois não sabemos como essa guerra vai terminar", acrescentou. 

O Pnud estimou que, em sete meses de guerra em Gaza, a contração da economia dos Territórios Palestinos como um todo chegará a 26,9% em 2024, em comparação ao patamar estabelecido em 2023, antes do início do conflito em 7 de outubro. 

O colapso da economia de Gaza já teve um impacto no ano passado sobre o PIB dos Territórios Palestinos como um todo, que sofreu uma contração de 5,5% em vez de um crescimento de 3,5%, conforme esperado pelo escritório de estatísticas palestino. 

O impacto também foi sentido fortemente na Cisjordânia ocupada, onde o PIB no último trimestre de 2023 caiu 18,8% em comparação ao mesmo período do ano passado. 

"Os níveis sem precedentes de perda humana e destruição material e o aumento acentuado da pobreza em um período tão curto precipitarão uma grave crise de desenvolvimento que ameaça o futuro das próximas gerações", acrescenta o relatório. 

A guerra eclodiu em 7 de outubro, quando comandos islamistas mataram 1.170 pessoas, a maioria civis, e sequestraram cerca de 250 no sul de Israel, de acordo com uma contagem da AFP baseada em estatísticas israelenses. 

As autoridades israelenses estimam que, após uma troca de reféns por prisioneiros palestinos em novembro, 129 pessoas foram mantidas em cativeiro em Gaza e 34 foram mortas desde então. 

A ofensiva aérea e terrestre de Israel contra Gaza deixou até agora 34.596 mortos, a grande maioria civis, de acordo com o ministério da saúde do governo do Hamas no território palestino.

(AFP)

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