Religião

Papa no Bahrein: famílias de condenados à morte pedem apoio em missa

Dez pessoas foram detidas antes de evento no qual Francisco falou para cerca de 30 mil pessoas no Estádio Nacional

Por Agências
Publicado em 05 de novembro de 2022 | 18:09
 
 
 

Manama, Bahrein. Aproximadamente 30.000 pessoas assistiram à missa celebrada neste sábado (5) pelo papa Francisco, no Estádio Nacional do Bahrein. O evento aconteceu no terceiro dia da visita, marcada por um protesto das famílias dos condenados à morte neste território muçulmano do Golfo.

A polícia deteve 10 pessoas que se manifestavam do lado de fora da escola onde o pontífice marcou como local para se reunir, disse à AFP o Instituto de Direito e Democracia do Bahrein (BIRD, na sigla em inglês), com sede em Londres.

"A tolerância não existe para nós aqui no Bahrein!", dizia o cartaz carregado por Hajar Mansur, mãe do ativista preso Sayed Nizar al Wadaei, diretor da ONG BIRD.

Repressão a opositores

O papa, que não estava em contato direto com os manifestantes, foi recebido com danças e flores dentro da escola Sagrado Corazón, onde convocou os alunos a “adotar a cultura do cuidado” e “dialogar”.

Desde o levante de 2011 no contexto da Primavera Árabe, Bahrein tem sido regularmente acusado por ONGs e instituições internacionais de realizar uma repressão feroz contra opositores políticos, particularmente aqueles da comunidade xiita, em um país governado por uma dinastia sunita.

O governo, por sua vez, garante que não tolera "discriminação" e que implementou mecanismos para proteger os direitos humanos.

"Convivência"

“Esta terra é uma imagem viva da convivência em diversidade e até uma imagem do nosso mundo, cada vez mais marcado pela constante migração dos povos e pelo pluralismo de ideias, costumes e tradições”, disse Francisco.

O papa chegou nesta região insular de 1,4 milhão de pessoas na quinta-feira (03) para uma visita de quatro dias. Esta é a segunda ida a um país do Golfo após a visita de 2019 aos Emirados Árabes Unidos.

Católicos no Bahrein

Segundo o Vaticano, o Bahrein, que formalizou relações diplomáticas com a Santa Sé em 2000, tem atualmente 80.000 católicos.

Francisco dedica a maior parte de sua visita ao Bahrein a reuniões com funcionários do governo e figuras religiosas. Entretanto, para os católicos da pequena ilha, a missa de sábado é o destaque da viagem.

Alguns dos 30.000 fiéis de 111 nacionalidades que o esperavam não conseguiram conter as lágrimas com a emoção de ver o papa argentino de 85 anos na maior instalação esportiva, localizada na cidade de Riffa.

Francisco, que usava cadeira de rodas e bengala devido a problemas no joelho, sorriu e acenou para a multidão de dentro do papamóvel, cercado por dezenas de seguranças.

"Todo mundo quer ver o papa! É o sonho de uma vida para todos que vêm vê-lo. (...) Ele representa acima de tudo a paz mundial. É disso que precisamos agora", declarou à AFP Philomina Abranches, uma voluntária indiana de 46 anos que mora no Bahrein.

Marguerite Heida, 63 anos, sentiu-se "com sorte" por estar presente no "maior evento do ano". "As pessoas costumam ir à Itália para ver o papa e nem sempre conseguem. Eu o vi ontem na igreja e vou vê-lo hoje. Também pude apertar sua mão e receber sua bênção", contou esta cristã do Bahrein.

Francisco fez da relação com o Islã um dos pilares de sua história. Há três anos, nos Emirados Árabes, ele celebrou uma missa para 170 mil pessoas e assinou uma declaração cristão-muçulmana a favor da paz.

Desde sua eleição em 2013, Francisco visitou 12 países de maioria muçulmana, entre eles Jordânia, Turquia, Bósnia e Herzegovina, Egito, Bangladesh, Marrocos e Iraque. (AFP)

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