Crise política

Peru convoca embaixador e critica 'interferência' do México sobre Castillo

Na prática, convocar um embaixador é um ato de reprimenda

Por Agências
Publicado em 09 de dezembro de 2022 | 20:04
 
 
 

O Ministério das Relações Exteriores do Peru convocou, nesta sexta-feira (9), o embaixador do México após o presidente do país da América do Norte, Andrés Manuel Lopéz Obrador, defender o agora ex-presidente peruano Pedro Castillo, preso por tentar um golpe de Estado.

Na prática, convocar um embaixador é um ato de reprimenda. Segundo a pasta, as declarações do líder mexicano e de outras autoridades constituem "interferência nos assuntos internos do Peru".

Na quinta, AMLO, como é conhecido o presidente mexicano, disse que Castillo é vítima de assédio desde que venceu as eleições, em junho de 2021. Ainda de acordo com ele, os adversários políticos do peruano "não aceitavam que ele governasse".

Obrador também disse que seu país esperaria alguns dias para reconhecer Dina Boluarte como presidente do Peru -antes vice-presidente, ela foi empossada chefe do Executivo pelo Parlamento logo após Castillo fracassar em sua tentativa de golpe.

O México, de certa forma, está ligado à atual crise política do país. Isso porque, após anunciar a destituição do Parlamento, Castillo tentou fugir para a embaixada do país da América do Norte, onde pediria asilo.

Seu trajeto, porém, foi interrompido depois que a Polícia Nacional Peruana acionou a equipe de segurança do próprio presidente e ordenou que o motorista da van que transportava o líder peruano desviasse da rota prevista. Castillo, então, foi levado para a Prefeitura de Lima, onde ficou sob custódia de policiais.

Na quinta, o embaixador do México no Peru conseguiu se reunir com Castillo no centro em que o peruano está detido. O governo mexicano também anunciou que iniciou consultas com as autoridades de Lima sobre o pedido de asilo de Castillo.

Em outra frente da crise política, Dina disse nesta sexta estar disposta a discutir eleições antecipadas com a sociedade do país, mas descartou por ora o início de mudanças constitucionais -uma demanda de partidos de esquerda. A declaração foi feita enquanto centenas de fazendeiros bloqueavam um trecho da principal rodovia costeira do Peru, exigindo eleições antecipadas.

"Se a sociedade e a situação justificar a antecipação das eleições, então, em conversa com as forças democráticas e políticas do Congresso, sentaremos para conversar", disse ela a repórteres em sua casa a caminho do palácio do governo. "Não fui eu que causei esta situação, estou apenas cumprindo o papel constitucional", acrescentou.

Mais tarde, a agora presidente disse ter recebido uma ligação de seu homólogo argentino, Alberto Fernández. "Ele expressou seu apoio e colaboração no âmbito do fortalecimento de nossa democracia", escreveu ela no Twitter.

Por fim, Boluarte afirmou que planeja visitar Castillo na prisão, acrescentando que o golpe de estado surpreendeu a todos, incluindo os ministros do ex-presidente.

Castillo, aliás, segue preso na sede da Direção de Operações Especiais. Na quinta, a Justiça ordenou que ele fique preso preventivamente por, ao menos, uma semana. O Ministério Pública teme que uma eventual soltura do ex-presidente possa atrapalhar as investigações.

Paralelamente, nesta sexta, um ex-chefe de gabinete de Castillo disse que visitou o ex-líder peruano na cadeia e constatou que ele pode ter sido induzido a dissolver o Congresso. "Eu perguntei: 'por que você fez a leitura?' (do decreto que dissolveu o Congresso). Ele me respondeu que não se lembrava", disse Guido Bellido à imprensa.

Bellido também questionou as condições mentais de Castillo e pediu que as autoridades providenciem um exame toxicológico no esquerdista.

A versão de que Castillo agiu sob efeito de alguma substância também foi cogitada por Guillermo Olivera, um de seus advogados. "Todo mundo viu que ele estava lendo de maneira trêmula, e eu suponho que ele também estava um pouco sedado", concluiu o advogado.

Na transmissão do discurso de Castillo, é possível ver que as páginas em que o então presidente peruano segurava estavam tremendo. Pelo ângulo, porém, não é possível saber se o movimento era resultado de ventania ou se o peruano, de fato, tremia.

(Folhapress)

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