Israel x Hamas

Quase metade das munições que Israel lançou em Gaza não tinha poder de precisão

Por não ser guiada, esse tipo de bomba representa uma ameaça maior aos civis

Por Agências
Publicado em 14 de dezembro de 2023 | 16:21
 
 
 
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Quase metade das munições que o Exército de Israel usou na Faixa de Gaza desde o início da atual campanha aérea não era guiada, afirma a emissora americana CNN nesta quinta-feira (14). Por ter menos precisão, esse tipo de bomba representa uma ameaça maior aos civis.

A informação é atribuída a um relatório da Diretoria de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, que teria sido visto por três pessoas ouvidas pela TV em condição de anonimato. O documento indica que, das 29 mil bombas lançadas por Tel Aviv, 40% a 45% seriam desse tipo, sustentam elas.
Consultado pela CNN, um porta-voz do Exército de Israel, Nir Dinar, disse que não fala sobre os tipos de munição utilizados na guerra.

Em pouco mais de dois meses, o conflito no denso território palestino, onde moram 2,2 milhões de pessoas, matou mais de 18 mil e feriu pelo menos 50 mil, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. A guerra teve início no dia 7 de outubro, quando a facção terrorista atacou o sul de Israel e fez 1.200 vítimas.

Desde então, chegam do território relatos de prédios residenciais, hospitais e ambulâncias atingidos, além de cenas de crianças gravemente feridas sendo atendidas no chão dos centros de saúde -em sua maioria, colapsados após as restrições de combustível, suprimentos e água impostos por Tel Aviv.

Israel alega que toma medidas para proteger os civis. Na quarta-feira (13), por exemplo, a major israelense Keren Hajioff afirmou que o Exército está comprometido com o direito internacional e com um código de conduta moral. "Estamos dedicando vastos recursos para minimizar os danos aos civis que o Hamas forçou a desempenhar o papel de escudos humanos. A nossa guerra é contra o Hamas, não contra o povo de Gaza", afirmou.

"Estou extremamente surpreso e preocupado", afirmou à CNN Brian Castner, conselheiro sênior da Anistia Internacional e pesquisador de armas no Evidence Lab. "É ruim o suficiente usar armas quando elas estão atingindo seus alvos de forma precisa. É um problema enorme para os civis se elas não tiverem essa precisão e se você nem ao menos pode dar o benefício da dúvida de que a arma está realmente atingindo o local que as forças israelenses pretendiam."

A notícia foi divulgada dois dias depois de o presidente americano, Joe Biden, criticar duramente o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e dizer que ataques indiscriminados contra Gaza dificultam o apoio ao país. A fala foi um gesto de ruptura com a abordagem que a Casa Branca vinha adotando em relação ao seu principal aliado no Oriente Médio desde a eclosão da guerra.

"Esse é o governo mais conservador da história de Israel", disse Biden em um evento de arrecadação de fundos para a campanha presidencial do próximo ano, complementando que a atual gestão do país não quer uma solução de dois Estados --proposta apoiada por Washington.

Diante da enorme quantidade de mortos, os EUA têm tido dificuldades para justificar seus vetos a propostas de cessar-fogo no Conselho de Segurança da ONU desde o início do conflito e seguir blindado o aliado histórico.

O ajuste de rota, porém, decorre não só das críticas da comunidade internacional, mas também de críticas internas. A opinião pública americana, que inicialmente se colocou fortemente ao lado de Israel, também passou a ver o conflito de modo mais crítico, mostram pesquisas de opinião.

Uma pessoa familiarizada com o assunto falou à CNN que os EUA forneceram a Israel 5.000 bombas Mark 82, não guiadas. O país norte-americano, porém, também teria disponibilizado um sistema que transforma esses armamentos em munições "inteligentes", segundo o mesmo entrevistado. (FOLHAPRESS)

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