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Síria concorda em abrir passagens a regiões rebeldes para entrega de ajuda

Vários países, entre os quais EUA, Reino Unido, França, anunciaram a doação de recursos por meio de organizações humanitárias

Por Agências
Publicado em 13 de fevereiro de 2023 | 20:16
 
 
 

Uma semana após o terremoto que matou mais de 37 mil pessoas na Síria e na Turquia, a ditadura de Bashar al-Assad concordou nesta segunda-feira (13) com a abertura de passagens na fronteira com o país vizinho para o transporte de ajuda humanitária a áreas que estão fora do controle do regime.

O acordo foi intermediado pelas Nações Unidas, tem validade de três meses e reabre as fronteiras entre os dois países, fechadas desde 2011, quando as relações diplomáticas foram rompidas depois da explosão da guerra civil -o conflito levou milhões de sírios a buscarem refúgio na Turquia.

Até então, o único ponto de acesso a áreas dominadas por rebeldes no nordeste da Síria era a passagem Bab al Hawa, criada em resposta a uma resolução da ONU e definida por Damasco como uma violação à soberania síria. Nos próximos dias, dois novos corredores serão abertos, de acordo com o secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, que não informou a data precisa.

"A abertura desses pontos certamente permitirá que a ajuda entre mais rapidamente", disse o chefe da ONU. "À medida que o número de vítimas aumenta, é de extrema urgência fornecer alimentos, medicamentos, proteção, roupas de inverno e outros suprimentos para salvar vidas."

Mais cedo, Assad se reuniu em Damasco com Martin Griffiths, coordenador de ajuda emergencial da ONU. O ditador pediu mais auxílio internacional para reconstruir as regiões destruídas pelo terremoto. Enquanto várias nações enviaram equipes para as operações de assistência na também arrasada Turquia, onde a contagem de mortes ultrapassou 31 mil, a mesma oferta não foi vista no território sírio.

A Síria está isolada internacionalmente desde o início da guerra civil provocada pela repressão violenta a uma revolta popular contra o regime, cenário que dificulta os esforços para levar ajuda a vítimas do sismo.

Vários países, entre os quais EUA, Reino Unido, França, anunciaram a doação de recursos por meio de organizações humanitárias, mas sem qualquer diálogo com o regime. Nesta segunda, em nota, Assad destacou a "importância dos esforços internacionais" para ajudar na reconstrução da infraestrutura.

Além de conversar com o ditador, Griffiths, o coordenador de ajuda emergencial da ONU, também se reuniu em Damasco com o chefe da diplomacia síria, Fayçal Moqdad. Ele ainda viajou a Aleppo, cidade do norte do país onde o terremoto deixou mais de 200 mil pessoas desabrigadas. No total, mais de 5.700 pessoas morreram na Síria e 5,3 milhões de pessoas podem ficar desabrigadas, de acordo com a ONU.

(Folhapress)

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