O Tempo
Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Humanização

Conversas virtuais reduzem angústia de famílias e pacientes do Cecovid em Betim

Centro de Cuidados Intensivos realiza videochamadas entre internados com o novo coronavírus e parentes para trazer mais conforto e esperança; iniciativa contribui para melhora de pacientes

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
VIdeochamadamada
Internado no Cecovid Betim, Jonatas conversa com familiares por videochamada
PUBLICADO EM 23/06/20 - 14h20

Ter um parente internado em um hospital já é complicado para a família por causa da apreensão causada pela situação em si, mas, na pandemia da Covid-19, a situação se tornou ainda mais angustiante. Isso porque os pacientes não podem receber nenhuma visita devido ao perigo de contágio do novo coronavírus.

Pensando em reduzir essa angústia e o sentimento de isolamento, o Centro de Cuidados Intensivos (Cecovid 4), de Betim, na região metropolitana, realiza as visitas virtuais por meio de chamadas de vídeo para que pacientes internados com a Covid-19 mantenham o vínculo com sua família durante o tratamento.

“É uma maneira de manter o contato entre o paciente e seus familiares. Como os doentes ficam sem receber visitas presenciais, essas visitas virtuais auxiliam nessa interação, fazendo com que eles não se sintam tão sozinhos, com sentimento de abandono”, disse a psicóloga Juliane Camargos, uma das responsáveis pela implantação da medida no Cecovid 4.

A iniciativa, além de ajudar a fortalecer a saúde mental dos pacientes, preserva as relações familiares e diminui a ansiedade e a preocupação da família que está distante. “O paciente se sente acolhido, amado e isso ajuda até na evolução do tratamento. O emocional impacta diretamente no tratamento. E já percebemos que muitos pacientes reagem positivamente após uma conversa com os familiares, ficam mais esperançosos”, completou.

As visitas virtuais são realizadas diariamente, em sua maioria, ajustadas de acordo com o cenário e a rotina do Centro de Terapia Intensiva (CTI). A equipe de psicologia da unidade entra em contato com a família do paciente e verifica quem pode participar, fazendo um pré-agendamento da chamada de vídeo. Todos os cuidados de desinfecção são tomados com os equipamentos eletrônicos, utilizando álcool 70% e filme plástico a cada nova chamada. No caso de paciente entubado, são realizadas mais chamadas de voz.

Conforto

A vendedora Edna Aparecida de Oliveira, de 35 anos, está desde o dia 29 de abril sem ver o esposo, Jonatas Antônio de Almeida, de 38, que está internado no Cecovid 4. Quando ele deu entrada na unidade, foi diretamente para o CTI destinado a pacientes com a Covid-19. Desde então, paciente e familiares passaram a conversar por videochamadas. São cerca de três vezes por semana.

“É uma angústia muito grande não poder visitar um parente internado. Mas as conversas virtuais dão um pouco mais de conforto para nós e para ele. No início, quando ele estava entubado, eram chamadas de voz. Depois, passaram a ter chamadas por vídeo. Percebemos que ele reagiu e se sentiu melhor. Na primeira vez que nos vimos pelo telefone, ele ficou mais aliviado por saber que eu, o nosso filho e a mãe dele estamos bem. Contribuiu muito essa ação e todos os hospitais poderiam aderir a essa medida, pois ajuda a família e o paciente”, completou.

Edna conta que o marido não tinha nenhuma doença preexistente. A família mora em Igarapé, na RMBH. Jonatas procurou unidade de saúde daquela cidade, e, inicialmente, os médicos acharam que seria dengue, mas o resultado deu negativo. Com muita dor de cabeça, febre elevada, ele foi à UPA da cidade. Do dia 28 para 29 de abril, Almeida começou a se sentir mais cansado e com falta de ar, quando foi transferido para CTI em Betim em estado muito grave. Hoje, ele segue no CTI, mas sem precisar de respiração mecânica.

“A gente não estava saindo de casa a não ser para trabalhar. Não íamos a lugares que tinham aglomerações, mas não sabemos onde houve a contaminação pela Covid. Eu também testei positivo, mas não tive sintomas graves. Fiquei em casa, isolada do meu filho, que fez exames e deu negativo”, conta.

O pedreiro autônomo João Pereira Filho, 60, conta que também realizava videochamadas para conversar com a esposa Maria Luiza dos Reis, que ficou oito dias internada no Cecovid 4 com o coronavírus e recebeu alta no último domingo (21). “A gente conseguia se falar por telefone, mas ela ficava muito cansada. Mesmo assim, as chamadas diminuíram um pouco a tensão, já que não podíamos visitá-la”, disse.

Outras ações

Outras medidas também estão sendo adotadas neste momento da pandemia para humanizar o atendimento e ajudar no tratamento dos pacientes. “Colocamos músicas para tocar, a pedido dos pacientes; os profissionais têm se dedicado às conversas e diálogos constantes com esses pacientes, para motivá-los e há ainda um projeto de leitura e contação de histórias, que esperamos implantar em breve”, acrescenta a psicóloga.

Rádio Super

O que achou deste artigo?
Fechar

Humanização

Conversas virtuais reduzem angústia de famílias e pacientes do Cecovid em Betim
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório
Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter
Log View