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Bomba-relógio

Greve no sistema prisional prejudica visitas no Ceresp

Servidores dos setores administrativo e socioeducativo paralisaram no dia 26

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Familiares dos presos afirmam que se a greve continuar, uma rebelião pode acontecer em Betim
PUBLICADO EM 08/03/18 - 23h04

Amigos e familiares dos detentos que estão internados no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Betim estão enfrentando problemas para visitar os presos. Desde o último dia 16, os mais de 3.000 servidores públicos estaduais que atuam no setor técnico-administrativo do sistema prisional e socioeducativo do Estado decidiram cruzar os braços por tempo indeterminado. De acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos no Estado de Minas Gerais (Sindpúblico), 90% da categoria aderiu a paralisação.

“Há dias não consigo visitar meu marido. Essa situação é um absurdo e uma violação aos direitos dos detentos. Sem as visitas, eles não estão recebendo mais produtos de higiene pessoal nem a alimentação complementar. Tudo isso é a família que leva para o preso. Fora que eles não estão vendo mais esposas, amigos e pais. Meu marido, por exemplo, tem transtorno bipolar. Eu que levo a medicação para ele. Estou preocupada. Se essa situação continuar, pode virar uma tragédia. O Ceresp é uma bomba-relógio, que pode explodir a qualquer momento. Os presos de Ceresp já sofrem com a superlotação (o número de presos hoje na unidade seria de mais de 1.200, sendo que a capacidade é de 400), agora, sem visitas, vão acabar se rebelando”, alertou Vânia Silva, mulher de um dos detentos.

Os servidores exigem o cumprimento de um acordo, que teria sido firmado entre a categoria e o governo do Estado, em 2015, de equiparação do vencimento base dos trabalhadores com o de áreas correlatas da segurança pública do Estado, como servidores administrativos das polícias Militar e Civil.

“Como o governo não pode dar o reajuste neste ano, por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal, queremos que ele pelo menos amenize essa situação, oferecendo aos trabalhadores uma ajuda de custo”, explicou Geraldo Henrique, diretor político do Sindpúblico.

Com a greve desses servidores – o que inclui psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, técnicos em enfermeiros, servidores administrativo, terapeutas ocupações e pedagogos –, as unidades prisionais e socioeducativas do Estado não contam mais com serviços administrativos e de atendimento odontológico, jurídico, psicológico, assistência social, entre outros.

“Esses servidores trabalham na ressocialização dos presos. Com a greve, esse trabalho fica prejudicado. Para um preso receber uma visita, por exemplo, é preciso que seja feito um cadastro. Esse serviço é feito por esses servidores. E sem cadastro, os detentos não podem receber visitas. Já a liberação dos presos das unidades prisionais, por exemplo, precisa de um relatório técnico, que também é feito por esses servidores. Sem isso, a partir da greve, não haverá mais liberação de presos das unidades”, exemplificou Hugo Barbosa, diretor do Sindpúblico. “Vale ressaltar que vamos manter 30% dos serviços essenciais, conforme previsto em lei, que são os de saúde”, completou o sindicalista.

O governo de Minas declarou que continua mantendo diálogo com os servidores e que entregou na última terça (3) uma proposta para a categoria. Nela, o Executivo se compromete a iniciar neste mês a discussão do plano de carreira e das condições de trabalho dos trabalhadores e abre negociação para discutir as questões financeiras com a categoria em abril. “Essa proposta não atende as reivindicação da categoria. Por isso, a greve continua”, disse Geraldo Henrique, do Sindpúblico. 

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