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"Nunca passei por nada assim", diz infectado de Betim por coronavírus

Primeiro caso confirmado de Covid-19 em Betim, com esposa de 26 anos, homem de 35 anos conta rotina a da doença

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Desde que voltou da Europa, no dia 16, casal infectado de Betim está em isolamento domiciliar
PUBLICADO EM 26/03/20 - 22h22

“Nunca passei por nada assim. A melhora de cada dia é que me dá esperança”. É assim que o betinense de 35 anos, primeiro caso confirmado do novo coronavírus na cidade, junto com a sua esposa, de 26 anos, descreveu a sensação de estar com a doença após voltar de uma viagem pela Europa. Desde então, o casal se mantém em isolamento domiciliar, sendo acompanhado por equipes médicas. Em entrevista à O Tempo Betim, ele falou com está sendo enfrentar a Covid-19.

Como foi a descoberta da doença?

Viajamos por 15 dias por Barcelona, Amsterdã e Madrid, áreas de risco para a doença. Logo no dia em que chegamos, no dia 16, fiquei um pouco febril, mas tinha esperança que fosse o cansaço da viagem. No dia 17, apresentei febre alta, que chegou a 38.8 graus, muita tosse, um pouco falta de ar, muita dor no corpo, fadiga e muito enjoo. Já no dia 18, minha esposa teve os mesmos sintomas, e ainda apresentou calafrios. Fomos ao hospital e passamos por exames. Depois, fomos orientados a voltar para casa e ficarmos isolados, sem poder, inclusive, ter contato um com o outro, mesmo dentro de casa. Só depois do resultado positivo é que pudemos nos encontrar. Desde então, estamos em isolamento total. 

O que você sentiu quando soube que estava infectado?

Não senti medo de morrer, mas o vírus me deixou bem debilitado. Até o sexto dia, não tinha vontade de fazer nada, ficava só na cama, dormindo. Nunca passei por nada assim. A melhora de cada dia é que me dá esperanças.

Acredita serem relevantes as medidas de isolamento que vêm sendo adotadas?

Sim, são extremamente importantes. Só eu sei o que senti e o que passei. Tenho 35 anos, fiz atividade física a minha vida inteira, e nunca passei por isso. Sou um transmissor do vírus, mas, pessoas que não têm a mesma resistência, se forem infectadas, podem não aguentar, ficando internadas por vários dias e até vir a falecer.

Vocês sofreram algum tipo de preconceito?

Recebemos bastante apoio de pessoas conhecidas e nossa família tem nos ajudado muito. Mas também houve preconceito de algumas, que preferiram nos culpar. Mesmo diante de uma situação tão ruim, ainda passar pela alcunha de que fizemos algo de errado, não é fácil. Desde que suspeitamos da doença, nossa maior preocupação foi não infectar outras pessoas. A orientação é ficarmos 17 dias completamente isolados. 

 

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