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Plano de segurança da barragem Várzea das Flores sairá só em julho

Durante audiência pública em Betim, Copasa informou que estudos sobre a represa ainda estão sendo feitos

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Audiência em Betim
Audiência sobre segurança da represa aconteceu na Câmara de Betim, na quarta (20)
PUBLICADO EM 21/03/19 - 20h16

O plano de estudos de segurança sobre um possível rompimento da barragem da lagoa Várzea das Flores deve ficar pronto somente em julho. Pelo menos foi esse o prazo que a Copasa informou durante uma audiência pública realizada na quarta-feira (20), na Câmara, que debateu a segurança do reservatório. Requerida pelo vereador Adélio Carlos (PDT), preocupado com a represa após o rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, a discussão contou com a presença de representantes da estatal, vereadores, autoridades e moradores.

De acordo com a Copasa, os chamados estudos “Dam Break” estão em elaboração por uma empresa contratada. Esse estudo detalha, em casos de ruptura de barragens, o mapeamento da mancha de inundação, plano de ações, quais os riscos e danos e a classificação dos danos potenciais. Ele também prevê o Plano de Ações Emergenciais (PAE), que tem como objetivo mapear espaços passíveis de inundação. Embora tenha a concessão para operar a barragem desde 1979, a Copasa não possui licenciamento ambiental. O processo para obter esse documento foi iniciado no mês passado junto ao Estado. 

“A Copasa não tem ainda um plano sobre quais os impactos reais e a mancha de inundação em caso de uma ruptura da barragem. Ele ficará pronto em julho. Contratamos uma empresa técnica, por meio de licitação, que está desenvolvendo trabalhos mais profundos, com estudos de estabilidade. Ao fim desse trabalho, vamos apresentar todo esse planejamento”, afirmou o gerente de divisão de produção da bacia do Paraopeba da companhia, Mauro Diniz Carneiro. 

Ele também disse que a estrutura, que é feita de terra compactada, é monitorada mensalmente. Durante a audiência, ele apresentou dados do monitoramento. “Há equipamentos que medem a pressão da água, os níveis dela. Também são realizadas vistorias regulares, um acompanhamento rigoroso feito por técnicos que verificam se há trincas, algum abatimento ou movimento de terra que poderia nos alertar. Temos laudo de estabilidade emitido em 2016. Pelos nossos controles, é clara a estabilidade da barragem, até porque a técnica de construção dela é totalmente diferente de uma barragem de rejeitos”, completou. 

Paredão
O vereador Adélio Carlos disse que uma nova audiência pública será realizada após a finalização dos estudos contratados pela Copasa e que uma comissão será formada para acompanhar essa situação. 
“Muitos moradores estão preocupados com a situação, pois a tragédia em Brumadinho foi muito grande. Mesmo com todos os estudos de engenharia que a Copasa vai nos apresentar, eu continuo batendo na tecla de que tem que construir um paredão de concreto para dar mais segurança à população. As coisas no Brasil só são feitas após acontecer uma tragédia, e isso tem que mudar. Depois que acontecer, não adiantará fazer nada”, declarou o vereador.

Sobre esse paredão, Mauro Carneiro declarou que não pode afirmar se ele será feito, já que é preciso esperar o fim dos estudos. “A Copasa não medirá esforços para fazer tudo o que for necessário para oferecer mais segurança. O que nós temos que fazer é não deixar acontecer uma tragédia, e isso é o nosso foco”, disse. 

O gerente de sistemas de infraestrutura hídrica do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Walcrislei Vercelli Luz, disse que o órgão fez uma inspeção na barragem. “Na vistoria visual, não foi detectado nenhum problema na estrutura que cause preocupação. Em fevereiro, foi publicada uma portaria que rege a segurança de barragens no Estado. Com isso, a Copasa tem um ano para apresentar o Plano de Ação Emergencial da estrutura”, afirmou.

Risco
Também durante a audiência pública, o engenheiro sanitarista e especialista em avaliação de impactos ambiental Mauro Costa Val apresentou ao público o risco hidrodinâmico, que consiste na altura da onda aliado à velocidade da água, existente no caso de rompimento da barragem de Várzea das Flores. “A parede da barragem tem 27 metros de altura, então, a avaliação é que a onda poderia atingir a 10, 15 metros de alturas. Com a velocidade da água, ela chegaria ao Betim Shopping, que está a sete quilômetros de distância, em dois, três minutos. Como há uma grande concentração de moradores no entorno, o dano potencial é elevado”, declarou.

O secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ednard Tolomeu, lamentou que a Copasa não tenha o licenciamento ambiental para explorar a represa, mesmo tendo a concessão da estrutura desde a década de 1970. Ele também disse que a prefeitura já iniciou o Plano de Prevenção e Enfrentamento de Catástrofes e que está analisando a documentação de empresas que possuem atividades de risco na cidade, como refinaria, postos de combustíveis e mineradora. “A Copasa entregou ontem (terça) os documentos solicitados, mas estão incompletos. Não há laudos de estabilidade da barragem, além de vários documentos”.

A Copasa disse que providenciará o restante da documentação. 
 

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