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Eleições 2020

Candidaturas a prefeito para alavancar votos para vereadores

As composições para coligações majoritárias, como as indicações para vice jogarão ainda mais luz sobre a sombra das articulações

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REPRODUÇÃO
Vereador Wellington Ortopedista, Ademir Lucas e Rafael Martins são pré-candidatos
PUBLICADO EM 25/03/20 - 17h20


Em meio a essa crise do Covid-19, as articulações dos bastidores da política prosseguem. As eleições de 2020 serão emblemáticas, principalmente pela vigência da proibição da coligação entre partidos para montagem da chapa de vereadores, aprovado na última reforma eleitoral. A novidade tem forçado as legendas a montar chapas completas, e que atinjam o quociente eleitoral para conquistar vagas na Câmara Municipal. Com isso, o próximo pleito terá um número maior de candidatos a vereador, mas também de candidatos a prefeito. Historicamente, as candidaturas majoritárias ajudam nos votos da chapa de vereadores, tanto pelo voto na legenda do candidato a prefeito, quanto pelo voto em candidatos a vereador que estejam alinhados a ele.
Essa nova dinâmica, observada em todo o país, replica-se também em Contagem. Além de embaralhar ainda mais o momento político local, também ajuda explicar a lógica por trás de algumas candidaturas ao comando do Executivo local. É o caso, por exemplo, do Wellington Ortopedista, que se lançará candidato a prefeito pelo Republicanos. 
Como vereador, Wellington teve uma mandato apagado. Elegeu-se como uma novidade, surpreendendo pela votação que teve, mas não mostrou a que veio. Não fez nenhuma proposição de lei que tenha recebido destaque, tampouco fiscalizou a contento as ações do Poder Executivo. Oriundo da área da saúde, não há registro de nenhum requerimento seu sobre a investigação de desvio de medicamentos da Secretaria Municipal de Saúde, em 2018, que culminou com a demissão de quase um setor inteiro e a exoneração do então secretário de Saúde, Bruno Diniz.
No final do ano passado, quando da votação da controversa Lei de Uso, Ocupação e Parcelamento do Solo, Wellington não apresentou nenhuma emenda a fim corrigir distorções ou melhorar o texto do projeto. Tendo se aproximado do deputado estadual Mauro Tramonte, que aprovou na Assembleia Legislativa projeto de lei transformando em área de interesse ambiental a represa de Vargem das Flores, criou-se a expectativa de que ele serraria fileiras em defesa do meio-ambiente, o que não aconteceu. Pelo contrário. Em uma das sessões, saiu antes mesmo do término da votação, isolando ainda mais o reduzido número de vereadores que se opunham a autorização de empreendimentos na região de Vargem das Flores.
A candidatura de Wellington Ortopedista, porém, ajudaria na organização da base de apoio do atual prefeito Alex de Freitas. Atualmente, o Republicanos tem em sua chapa 3 vereadores, 2 ex-vereadores e candidatos com grande potencial de voto, dado o apoio de igrejas evangélicas.
“Montadores de chapa” sérios, afirmam que, na atual conjuntura, dificilmente qualquer partido fará mais de duas cadeiras na Câmara Municipal. Assim, no interior da chapa do Republicanos, pelo menos um vereador não se reelegerá e os dois “Ex’s” poderiam permanecer sem mandato. Os demais candidatos, face a dificuldade de vencer os concorrentes da própria legenda, concorreriam sem o mesmo “gás”, derrubando ainda mais a votação da chapa. Assim, até mesmo a formação de quociente eleitoral para duas cadeiras ficariam ameaçadas.
A candidatura de Wellington Ortopedista ajuda nesse imbróglio. Primeiro, como já dito, porque como candidato potencializa os votos da legenda. Em segundo, porque embora tenha sido eleito pelo PDT, e esteja a caminho do Republicanos, o Ortopedista montou uma chapa de vereadores no PSC. Segundo apuração feita, parte do acordo para sua candidatura passa pela filiação de um dos vereadores, hoje no Republicanos, no PSC.
A “desaposentação” do ex-prefeito
Quando a retomada da cobrança do IPTU residencial foi articulada pelo atual prefeito de Contagem, Alex de Freitas (sem partido), o meio político esperou o retorno do ex-prefeito Ademir Lucas ao debate público local. Afinal, fora ele o autor da isenção que perdurou pelos quase últimos 30 anos na cidade, balizando todos os debates eleitorais desde então.
Acreditava-se que ele defenderia a isenção, que apontaria caminhos e lideraria a discussão contra o retorno da cobrança. Enganaram-se todos. Ademir não fez nenhum pronunciamento a esse respeito nos últimos três anos. Deixou que a pauta fosse tocada por outras seguimentos da sociedade, como o grupo Liberta Minas.
O “silencio” do ex-prefeito tem o seu porquê. No alto dos seus quase 80 anos, há mais de uma década sem nenhuma vitória eleitoral, e mais alguns problemas de ordem pessoal, Ademir havia se “aposentado” da vida pública. Um grupo ínfimo de apoiadores o encorajava a uma nova disputa, pela avaliação de que a retomada da cobrança do IPTU residencial lhe daria novo “fôlego” eleitoral. Fizeram umas parcas movimentações de redes sociais. Ações tímidas, só para que o nome do ex-prefeito não sumisse de tudo.
As dificuldades para montagem de chapa de vereadores, dada o fim das coligações proporcionais, acabaram por “desaposentá-lo”.
Ademir se coloca para uma nova disputa eleitoral, agora, no PTC. O ex-prefeito filiou-se ao partido do então vice-líder do governo Alex de Freitas na Câmara Municipal, o vereador Alessandro Henrique.
Ademir, que ainda tem um eleitorado cativo — a cada eleição mais decrescente — contribuiria, com sua candidatura, para a chapa de vereadores do PTC.
Rafael Martins: o corpo estranho
Da mesma forma a pré-candidatura do deputado estadual Rafael Martins (PSD) a prefeito de Contagem. Ex-vereador de Belo Horizonte, eleito para seu primeiro mandato como deputado estadual, Rafael colocou seu nome para à disputa do comando da prefeitura.
O meio político da cidade vê na candidatura de Rafael Martins uma articulação do prefeito Alex de Freitas com o senador Carlos Viana (PSD). O movimento do atual prefeito, avaliam as lideranças locais, era uma das suas alternativas, caso não conseguisse refazer sua elevada rejeição. No início do mês Alex anunciou que não disputaria a reeleição. Dada a sua pouca intenção e votos registrada nas últimas pesquisas, sua saída tem pouco impacto no realinhamento das intenções de voto.
Altera, porém, a cena política da cidade porque o prefeito passa a articular, nos bastidores, o processo eleitoral. Assim, a candidatura de Rafael Martins tende contribuir com a montagem de chapa de vereadores do seu partido, mas também como uma das alternativas do atual prefeito.
 
Ao final, a montagem de chapas de vereadores é apenas uma etapa. As composições para coligações majoritárias, como as indicações para vice jogarão ainda mais luz sobre a sombra das articulações.

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