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E como ficará o PSL em Contagem?

Na sombra dos bastidores da política, Léo Motta se joga na disputa como uma das alternativas do atual prefeito, que hoje é pré-candidato à reeleição, mas pode mudar para uma “transição segura”.

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CLEIA VIANNA/CÂMARA DOS DEPUTADOS
Léo Motta segue Bolsonaro sai do PSL e conta em ser o candidato do atual prefeito Alex
PUBLICADO EM 13/11/19 - 16h07

Qual será o desdobramento da saída de Jair Bolsonaro do PSL, partido pelo qual se elegera presidente da República, no xadrez política das próximas eleições municipais? Em Contagem, inviabiliza uma já cambaleante postulação do deputado federal Leo Motta (PSL-MG) de candidatura à prefeitura. Motta disputava a indicação do PSL com o deputado estadual Professor Irineu, levando, internamente, a pior.

Motta é tido como alguém de difícil diálogo. Como aquele que quer fazer prevalecer o tacão do seu querer nas composições partidárias. Servidor aposentado e o deputado majoritário da cidade que deixa também o PSL.

Ficou ainda pior quando, na disputa das listas que confrontou o delegado Waldir (PSL-GO) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) pela liderança do PSL na Câmara dos Deputados, Motta votou, primeiro com Waldir, depois com Eduardo Bolsonaro. O racha dentro da legenda não arrefeceu e Motta mudou de lado, perdendo de vez força e voz com a direção nacional do PSL. Com sua “batata assando”, ele resolveu acompanhar o clã Bolsonaro na fundação do novo partido ­- o Aliança pelo Brasil. 

Mas como estará, nas próximas eleições municipais, o partido que o bolsonarismo criará para chamar de seu? Conseguirão criá-lo a tempo de disputar as eleições? Será um trabalho árduo. O tempo médio para criação de uma nova agremiação é de 3 anos. Pela regra de criação de partidos, para disputar as eleições um partido deve ter registro aprovado pelo TSE seis meses antes do pleito. Terão de enfrentar o tempo apertado para recolhimento de assinaturas e renhida fiscalização de um amplo leque de opositores – começando por integrantes do PSL.

O partido Novo, por exemplo, levou mais de quatro anos para obter seu registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A legenda foi fundada em fevereiro de 2011 e levou três anos e meio coletando assinaturas. O TSE só registrou sua criação do Novo em setembro de 2015. 

O Partido da Mulher Brasileira, outro exemplo, foi fundado em 2008, mas só em 2014 deu entrada, oficialmente, no seu pedido de registro junto ao TSE. A legenda ficou quase sete anos recolhendo assinaturas. 

Situação mais emblemática foi a criação da Rede Sustentabilidade, de Marina Silva. A legenda foi fundada em fevereiro de 2013 e intencionava obter o registro do partido em tempo hábil de lançar a candidatura de Marina à presidência já em 2014. A invalidação de milhares de assinaturas para o registro do partido, entretanto, inviabilizou o projeto. A Rede só obteve seu registro formal em 2015. 

Até pode ser que consigam criar o Aliança pelo Brasil. Que estrutura ele terá para disputar as eleições municipais? Os bolsonaros já anunciaram que lutarão, na justiça, pela migração, proporcional, do tempo de TV e do fundo partidário proporcional dos deputados que migrarão para a nova legenda. Será um feito “exótico”, caso consigam. A legislação, com jurisprudências reforçando esse entendimento, garante ao PSL manter-se detentor do tempo de TV, do fundo eleitoral e do fundo partidário do qual se tornou detentor quando da eleição da sua expressiva bancada. 

Somando o fundo eleitoral e o fundo partidário, o PSL é uma máquina partidária que vai para as eleições municipais com R$ 359 milhões em caixa. O cálculo leva em conta as bancadas atuais e o Fundo Eleitoral com R$ 2,5 bilhões estabelecido na proposta de Orçamento. 

Tudo aponta que, caso mantenha sua disposição de disputar o comando da Prefeitura de Contagem, Leo Motta o fará de uma legenda pequena, do ponto de vista da estrutura institucional. Qual será o peso do bolsonarismo daqui seis meses? Ajudará? Será neutro? Atrapalhará? 

Nem tudo é tão turvo para Leo Motta. Na sombra dos bastidores da política, por relações facilmente lastreáveis, ele se joga na disputa como uma das alternativas do atual prefeito para uma eventual “transição segura”.  

Ao PSL sobrou um saco cheio de dinheiro para reorganizar-se no pós-Bolsonaro, com a eleição de vereadores e prefeitos que contribuam com a manutenção da bancada. Em Minas, os municípios de Juiz de Fora e Contagem são tratados como estratégicos para isso.

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