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Gilberto Kassab: ‘Declinaria se viesse o convite’ para assumir ministério

Presidente nacional do PSD negou que haja conversas para que o senador tucano Antonio Anastasia migre para a legenda

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"Não preciso nem fazer essa avaliação, porque o eleitor está fazendo. Kalil é um dos prefeitos mais bem-avaliados do Brasil. Isso mostra a qualidade do trabalho. Temos que aplaudir"
PUBLICADO EM 13/05/19 - 03h00

Presidente nacional do PSD, o ex-ministro Gilberto Kassab negou que haja conversas para que o senador tucano Antonio Anastasia migre para a legenda, como se especula nos bastidores. Em entrevista a O TEMPO, Kassab afirmou que, nos próximos dias, será publicada uma resolução ratificando o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, como presidente estadual da sigla. Indicado pela Frente Nacional dos Prefeitos para assumir o Ministério da Cidades, que foi recriado na semana passada, ele agradeceu a lembrança, mas ressaltou que o PSD tem posição clara de “não participar do governo”.

Como o PSD avalia o início de governo do presidente Bolsonaro?

Como você mesmo disse, é início de governo. Estamos em maio, o presidente, lá no início, teve a sua necessidade de tratamento de saúde, a cirurgia (para a retirada da bolsa de colostomia), depois veio o Carnaval. Temos a expectativa que o governo acerte no que é importante para o Brasil, para a nossa economia. Temos na pauta econômica, no nosso partido, uma convergência grande com as principais medidas dele. Vamos aguardar o primeiro semestre para fazer uma avaliação mais concreta.

Como o PSD vê as interferências dos filhos do presidente, além das polêmicas envolvendo a ala militar e ideológica na gestão?

É público, já (durante) a campanha, que o presidente conta muito com o apoio dos filhos. Os filhos estão na vida pública. Os três têm mandato. Portanto, já era de conhecimento público, antes mesmo da sua vitória, a importância que ele dá para essa relação. A nossa expectativa é de que os filhos possam, com o tempo, entender qual o melhor papel que eles possam desempenhar para que o pai faça um bom governo.

Com relação à Medida Provisória 870, da reforma administrativa, o PSD foi um dos partidos que apoiou a volta do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para o Ministério da Economia...

Quero só corrigir. Fizemos o líder (da bancada) no Senado, Otto Alencar (PSD-BA), que votou para (o Coaf) permanecer no Ministério da Justiça, e tivemos a posição na Câmara que votou para permanecer no Ministério da Economia. São posições distintas. O partido não interferiu – e nem vai interferir – no plenário. Não teve nenhuma questão fechada em relação a esse tema.

E a troca do deputado Joaquim Passarinho (PSD-PA), que era favorável à permanência no Ministério da Justiça, pelo deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), que defendia o retorno ao Ministério da Economia?

Havia um entendimento na bancada, segundo o líder (deputado federal pernambucano André de Paula) me relatou, de que, alguns dias antes da votação, iriam fazer um levantamento na bancada, como foi feito, e, conforme tivesse maioria a posição de permanecer ou no Ministério da Justiça ou no Ministério da Economia, que seria esse o voto da bancada. Até porque seria um voto único. Não foi posição partidária, mas dos deputados, e onde não teve unanimidade.

Então, qual a posição do PSD em relação a esse assunto?

O PSD vê coerência no Coaf estar no Ministério da Justiça, como também no Ministério da Economia. Já esteve tantos anos na Economia, as coisas funcionaram bem. Está hoje na Justiça, (as coisas) estão funcionando bem. Cada deputado, cada parlamentar, que faça seu exame de consciência, sua avaliação, e vote para definir naquele (ministério) que entenda que seja o melhor local para o Coaf.

Mas se for para definir um ministério?

Não. Porque a questão ficou em aberto. O partido não fechou questão.

Quais os planos do PSD para as eleições municipais?

Temos um número grande de prefeitos e de vereadores. Acredito que são mais de 600 prefeitos e mais de seis mil vereadores. E foi aprovada uma resolução da executiva nacional exigindo que em todas as cidades com mais de 100 mil eleitores, o partido tenha, nas eleições do ano que vem, candidato a prefeito. Assim como em todas as cidades que tenham geradores de televisão, e em todas as capitais.

Há rumores de que o senador Antonio Anastasia (PSDB) vá para o PSD. Houve algum convite da sua parte?

Não. O senador Anastasia é uma pessoa de muito valor, que conhece bem suas responsabilidades e, em nenhum momento, tivemos conversa sobre esse assunto.

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, é um quadro novo na legenda. Qual sua avaliação do desempenho dele?

Não preciso nem fazer essa avaliação, porque o eleitor está fazendo. É um dos prefeitos mais bem avaliados do Brasil. Isso mostra a qualidade do seu trabalho. Portanto, uma aprovação dessa, temos que aplaudir e temos que mostrar aos prefeitos de outras cidades que eles podem ter, na gestão do Kalil, uma referência para as suas gestões.

Quais os planos do partido para o prefeito com relação ao projeto de reeleição?

Todo o apoio para a sua reeleição, haja vista essa aprovação que tem. O Kalil está assumindo comando do partido no Estado, ele será o novo presidente. E a executiva nacional está publicando resolução nos próximos dias. Haverá um deputado estadual como primeiro vice-presidente (deputado Cássio Soares), um deputado federal como secretário geral (cujo nome será definido pela bancada federal mineira). Haverá, também, a participação do senador Carlos Viana, do secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Marcos Montes, e também dos outros deputados da bancada federal.

A Frente Nacional dos Prefeitos colocou seu nome como um dos favoritos para ocupar o Ministério das Cidades. O senhor aceitaria o cargo?

Honrosa é a lembrança do meu nome. Fui realmente procurado por algumas pessoas. Mas o partido tem uma posição muito clara de não participar do governo, e sim de apoiar as boas propostas do governo. Então, eu declinaria se viesse o convite. E isso em nada enfraquece a relação que queremos ter com o governo, de fortalecer as boas propostas, de estar ao seu lado para fazer do Brasil um grande país. Mas o partido não se sente confortável. Nós não apoiamos a candidatura do presidente Bolsonaro, nem no primeiro nem no segundo turno. Portanto, não teria nenhum sentido um partido que não esteja ao seu lado participar do seu governo. Alguns parlamentares têm apoiado as propostas, têm tido liberdade para integrar mais proximamente o governo, aqueles que entenderem que esse é o caminho. A questão está aberta dentro da bancada do Senado, da Câmara. Mas o partido entrar dentro do governo é algo que não está nos planos.

E quais são os seus planos políticos?

Eu tenho alegria muito grande de sentir orgulho da minha história. Na vida acadêmica, meus pais me proporcionaram a oportunidade de estudar em duas faculdades de excelência do Brasil, o que me deu uma formação muito boa e que me ajuda muito na vida pública. Ao encerrar meus estudos, eu entrei para a vida pública. E, na minha cidade, São Paulo, ocupei todos os cargos: vereador, secretário de Planejamento, vice-prefeito, prefeito, duas vezes. Em Brasília, fui duas vezes deputado federal, duas vezes ministro. Já tinha sido deputado estadual. Portanto, posso dizer que, daqui para frente, quero ajudar o Brasil para que o país, o meu Estado e a minha cidade tenham, seus habitantes, mais qualidade de vida.

Mas o senhor voltaria a disputar um cargo eletivo?

Tenho muitos anos de vida pública pela frente, se Deus permitir. É evidente que, muito provavelmente, disputarei algumas eleições. Mas não tenho nada firmado no horizonte, não tenho nenhuma obstinação de disputar eleição. Para aqueles que estão na vida pública é natural que, de vez em quando, disputem eleição, e não tem porque eu não disputar.

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