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Acílio Lara Resende

Para os moradores, o Rio enfrenta hoje uma verdadeira guerra civil

'A questão será esta: que acontecerá ao país após as eleições?'

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PUBLICADO EM 05/04/18 - 03h00

Quando estas linhas forem lidas nesta quinta-feira, a imensa maioria dos brasileiros, na véspera, já terá tomado conhecimento do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, do habeas corpus preventivo interposto em favor do ex-presidente Lula por seus inúmeros advogados. Disse-me meu irmão Luís: “Não tenho bola de cristal, mas, pelo que ocorreu no STF antes da Semana Santa, só por um milagre o julgamento não favorecerá o impetrante”. Cairá por terra, então, a prisão após condenação em segunda instância, decidida, diga-se de passagem, mais de uma vez, pelo próprio tribunal. Condenados de todo tipo poderão obter o benefício que se concedeu a um sentenciado a 12 anos e um mês de prisão num dos cinco processos movidos até agora contra ele.

Meu irmão Luís Lara Resende, que também se dedicou ao jornalismo por algumas décadas, sempre no Rio de Janeiro, onde reside há 55 anos, disse-me, na véspera do Domingo de Páscoa, que é difícil vencer Lula nessa queda de braço. Não será fácil prender o maior líder popular do país. E mais: digam o que quiserem, e mesmo que não tenha, neste momento, resultado prático de suas viagens pelo Brasil dizendo-se inocente de qualquer desvio de conduta, em flagrante desrespeito às leis eleitorais, e, claro, aproveitando-se para confirmar sua candidatura à Presidência da República, “ninguém, ninguém impedirá sua caminhada em direção a Brasília. Muito menos a mais alta Corte do país. Ela salvará Lula agora e não o enquadrará na Lei da Ficha Limpa. A questão será esta: que acontecerá ao país após as eleições de 2018?”

Meu irmão Luís não está pessimista (ou realista, como costuma dizer) tão somente com o que acontecerá a Lula e, com certeza, ao país, mas, sobretudo, ao Rio de Janeiro, que chegou, finalmente, segundo afirma ele, ao fundo do poço. “O Rio vive hoje clima de guerra civil, semelhante ao de outros países, que poderá arrastar o Brasil todo”, concluiu. Assustei-me quando revelou suas preocupações, que não são só suas, mas do amedrontado e bom povo carioca em geral.

Pois bem. Na última segunda-feira, na (insuspeita) “Folha de S.Paulo”, dei com a seguinte notícia, com chamada de primeira página: “Um em três cariocas diz ter ficado no meio de um confronto a tiros nos últimos 12 meses, e nove em cada dez afirmam ter medo de tiroteio, bala perdida ou de morrer em assalto. E três em quatro moradores relatam ter ouvido tiroteio nos últimos 12 meses. Os dados são da pesquisa Datafolha feita em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública”. Dos moradores da cidade, 73% gostariam de deixá-la depressa.

Desliguei-me do jornal, e vieram-me logo à lembrança alguns versos da bela canção “Aquele Abraço”, de Gilberto Gil, exaltando o Rio: “O Rio de Janeiro continua lindo/ O Rio de Janeiro continua sendo/ O Rio de Janeiro, fevereiro e março/ Alô, alô Realengo/ Aquele abraço!/ Alô, alô torcida do Flamengo/ Aquele abraço!/ Alô, moça da favela/ Aquele abraço!/ Todo mundo da Portela/ Aquele abraço!/ Todo mês de fevereiro/ Aquele passo!/ Alô, Banda de Ipanema/ Aquele abraço!”. Se Gil compusesse outra hoje, seus versos, certamente, verteriam sangue.

Dia desses, na Drogaria Araújo, na praça da Bandeira, às 23h, após fazer algumas compras, um funcionário me acompanhou até meu carro. “Assaltos aqui são frequentes”, disse-me ele. Pelo visto, e pelas notícias diárias, a guerra civil já tomou conta também de BH?

Antes, às 12h, assistira um assalto à mesma drogaria.

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