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Cândido Henrique

O Flamengo não é a vítima da tragédia

Que os culpados sejam punidos, sejam eles líderes de um grande clube de futebol ou não

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PUBLICADO EM 10/02/19 - 03h00

Dez adolescentes, entre 14 e 17 anos, morreram enquanto dormiam no alojamento do Flamengo, no Rio. Todos eram atletas das categorias de base do rubro-negro, que alojava seu futuro em contêineres equipados com ar-condicionado e outros aparelhos eletrônicos. Teria sido um curto-circuito a principal hipótese do incêndio que encerrou o sonho desses jovens.

Nas redes sociais, a primeira hashtag a subir foi #ForçaFlamengo. Força à família, acredito. Força também à torcida que espera sempre um craque com o DNA rubro-negro. No entanto, ao Flamengo, é preciso cobrar explicações. O clube não é vítima nessa situação. A diretoria precisa se explicar.

O Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, não tinha alvará de funcionamento. Também não tinha licenciamento de edificações nem certificado dos Bombeiros. Não havia registro no Conselho Tutelar para cuidar desses meninos e descumpria o Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA.

Já havia sido notificado pela Prefeitura do Rio e recebeu multas por isso. E também havia sido denunciado pelo Ministério Público por condições precárias na categoria de base. Não faltou alerta. Não faltaram multas. A ausência foi de punição. A diretoria do Flamengo pagou apenas dez das 31 multas dadas e ignorou interdição.

Quem disse isso foi a própria Prefeitura do Rio de Janeiro, após a morte das dez crianças. Sim, todos são ainda são muito jovens!

O Flamengo deixou de pagar essas multas por não ter medo da punição. Ou a pena é branda demais ou não se tem medo dela. É preciso uma tragédia desta magnitude para saber que está tudo errado?

E, agora, o que esperar? Quanto tempo vai demorar a investigação do caso? Vão poupar alguém? Como serão as indenizações às famílias?

Vale lembrar que estavam ali jogadores de 14 a 17 anos, que, num futuro, poderiam estar recebendo milhões na Europa ou no próprio Flamengo. As indenizações vão respeitar esse futuro?

Vão poupar o Flamengo? Não deveria, assim como não se deve poupar dirigentes. Os mesmos que se vangloriam de grandes contratações devem estar de olho nas condições de todos os seus jogadores, das categorias de base ao elenco profissional.

Essa tragédia, duas semanas depois do rompimento da barragem de Brumadinho, escancara a necessidade de o Brasil revisar os processos de prevenção de acidentes. O que está sendo feito aqui é pouco, muito pouco.

De 2013 para cá, tivemos a Boate Kiss, o rompimento da barragem de Mariana, o fogo no Museu Nacional, o rompimento da barragem de Brumadinho e as mortes no Ninho do Urubu. O que foi feito de lá para cá? Qual a nova legislação? O que mudou na forma de conduzir? Quantos foram punidos?

Que a força do futebol no Brasil seja capaz de catalisar um processo de mudança. Que os culpados sejam punidos, sejam eles líderes de um grande clube de futebol ou não. E que a prevenção seja levada a sério no nosso país.

No entanto, temo que a força do futebol mantenha muitas coisas como estão. Paradas ou caminhando a passos lentos.

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