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Editorial

Choque de realidade

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PUBLICADO EM 13/03/18 - 03h00

Os funcionários dos Correios estão em greve em todo o país desde ontem. Eles se posicionam contra mudanças no plano de saúde, que é apontado pela direção da estatal como a principal fonte de suas dificuldades atuais.

A revolução digital afetou seriamente os Correios. Há não muito tempo, era tido como uma das poucas marcas de excelência no serviço público brasileiro. Então, a empresa detinha o monopólio de serviços postais no país.

Em 2015 e 2016, os Correios acumularam um prejuízo de R$ 4,1 bilhões. Reduzi-lo passa pelo fechamento de 250 agências, pela demissão negociada de 5.000 funcionários e pelo aumento da participação do pessoal no plano de saúde.

Atualmente, a estatal paga 93% do plano de saúde dos funcionários. O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, diz que ou a empresa faz um ajuste radical, ou “vai rumar para a privatização”.

Esta, porém, é muito difícil de ser executada. Nenhuma empresa privada teria a capilaridade dos Correios. Com 6.500 agências e 117 mil funcionários, ele entrega a correspondência mais barata na localidade mais remota do país.

A privatização dos serviços postais deu certo em países menores. Além do mais, o ativo da estatal está muito depreciado hoje. Ela teria de ser vendida a um preço abaixo de seu valor. Seria um mau negócio para o Brasil.

O aparelhamento político é outro problema. Os oito vice-presidentes são indicações de partidos da base. Nove anos atrás, deu origem ao escândalo do mensalão. Em 2014, foi acusado de privilegiar a candidata Dilma Rousseff.

Além de reduzir os gastos, é preciso melhorar as receitas. Recentemente, os Correios aumentaram, sob protestos, os preços das encomendas. A melhora desse serviço e a abertura de novos negócios podem ser a saída.

O presidente dos Correios aponta a postura irredutível dos sindicatos com relação à realidade da estatal. A greve demonstra a atitude suicida dos funcionários. Uma hora eles terão de perceber que o mundo mudou.

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