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Editorial

Show para surdos

O show de Roger Waters teve os holofotes roubados pelo público do Allianz Parque, em São Paulo

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PUBLICADO EM 11/10/18 - 03h00

Com ingressos caros e esgotados, o show “Us + Them”, de Roger Waters, teve os holofotes roubados pelo público do Allianz Parque, em São Paulo. Conhecido pelo ativismo antimilitar e a favor de causas humanitárias, o ex-líder do Pink Floyd, como é de seu costume, trouxe bandeiras políticas para o palco. Entre os recursos cenográficos, uma lista de países onde, para ele, cresce uma onda neofascista: Trump, nos Estados Unidos, Orbán, na Hungria, Putin, na Rússia, Le Pen, na França, e Bolsonaro, no Brasil.

Um estrondo de vaias e aplausos tomou conta do estádio quando o telão projetou #EleNão. O show parou por mais de cinco minutos. O bate-boca entre os eleitores dos dois lados desse pleito continuou durante todo o espetáculo.

Waters, com mais de meio século de apresentações pelo mundo, demorou a entender o que se passava. A maior parte dos paulistas que gastaram até R$ 600 para ver ao vivo um dos maiores mitos do rock não sabia do antimilitarismo do artista?

O astro, que traz seu show para o Mineirão no próximo dia 21, perdeu o pai na Segunda Guerra Mundial, antes de completar um ano. Desde que pegou no microfone pela primeira vez, foi para cantar contra o nacionalismo, contra a educação repressora, contra o armamentismo. Ele se pronunciou contra Trump nos Estados Unidos, mesmo sabendo que iria ser punido por patrocinadores. Tentou convencer Gil e Caetano a não levarem seu mais recente show juntos para Israel, logo depois de uma série de ataques a palestinos. Roger Waters construiu uma persona artística de esquerda. Jair Bolsonaro é uma figura pública de direita, ou extrema-direita, como definiu o “The Guardian”, principal jornal do país do músico. Eles pertencem, claramente, a lados diferentes.

O público reagiu como se não soubesse o que estava indo ouvir. Se sabia, não importava. O que passou a valer na arena foi ficar até o fim aos gritos de “Ele, não” e “Ele, sim”, “Fora, PT” e até “Fora, Temer”.

 

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