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Editorial

Volta à barbárie

As diferenças se transformaram em ódio, e este ganhou as ruas, a ponto de o candidato Jair Bolsonaro ser esfaqueado, no início de outubro, em Juiz de Fora

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PUBLICADO EM 12/10/18 - 03h00

Nos últimos dez dias, aumentaram os casos de agressões e ameaças contra apoiadores dos candidatos à presidente da República, em consequência da polarização política que se estabeleceu na campanha eleitoral – a mais violenta em muitos anos. 

Antes, as ameaças se restringiam às redes sociais, onde eleitores trocavam insultos entre si, em vez de manterem um diálogo civilizado sobre os principais problemas que afligem a sociedade brasileira no momento.

As diferenças se transformaram em ódio, e este ganhou as ruas, a ponto de o candidato Jair Bolsonaro ser esfaqueado, no início de outubro, em Juiz de Fora. 

O candidato, para compensar falas passadas, tem adotado um tom apaziguador, lamentando o que está ocorrendo. É evidente que nenhum candidato pode ser responsabilizado pelas ações praticadas por seus eleitores, mas o fato é que elas vêm ocorrendo. 

Em Salvador, houve o assassinato de um correligionário do PT. Em Porto Alegre, uma mulher teve uma suástica desenhada a canivete na pele, e o delegado que a atendeu minimizou o fato, desconsiderando a agressão. 

Mulheres e pessoas da comunidade LGBT têm sido mais visados, a ponto de terem que tomar precauções, abdicando de suas liberdades individuais. Num colégio de classe A, em São Paulo, apareceram inscrições pedindo o fuzilamento de gays e lésbicas. 

Por razões políticas ou pessoais, cidadãos podem estar se aproveitando da polarização para trazer à tona suas diferenças, preconceitos e recalques escondidos. Tudo é possível quando uma sociedade perde a reverência ao marco civilizatório, voltando à barbárie com atos dessa envergadura. É papel de quem pretende dirigir o país colocar no discurso e nas condutas pessoais exemplos de conciliação, tolerância e respeito às diferenças.

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