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Eduardo Aquino

Sincronia do tempo nas relações interpessoais

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PUBLICADO EM 11/03/18 - 03h00

Como já dito e nunca compreendido, tempo é uma dimensão, inseparável do espaço. Minha vida, por consequência, é uma sutil e inexorável partícula desse tecido espaço-tempo. Mas, para fins de consumo filosófico e psicológico, convencionou-se que tempo é um passado acontecido, um presente acontecendo e um futuro por acontecer.

Vivemos preso a isso e, assim, experimentamos dissabores antigos que remoemos em forma de rancores, ódios, tristezas, saudosismos e outras emoções pretéritas. Ou nos desesperamos com um futuro irreal, em que sofrimentos, preocupações e ideias de ruína adoecem meu presente.

Tempo é confuso, passa, marca, envelhece. Chama pelo fim, clama pela morte. É estranho sabermos finitos materialmente falando. E os que amamos também. Benditos os que creem no tempo eterno, pois não se importam com o drama do envelhecer, das perdas, da morte. Vivem em paz. Desapegados têm mais tempo de amar, aproveitar a caminhada, lidar melhor com os sofrimentos físicos e psíquicos. Libertar-se das quatro dimensões é deixar a consciência fluir em outros universos ou moradas.

Tudo isso para falar da falta de maturidade que as redes e os multimeios nos trouxeram. E do tipo de tempo que nos propõe: acelerado, viciante, alienante, que passa sem ser percebido. Falta tempo para tudo: para visitar família, para conversar calmamente sem ser interrompido por celular, para não misturar trabalho com família, com paquera, com grupo de WhatsApp, para sair da rede, para não entrar nelas, para jogar games ou parar de jogar, para fazer cafuné, beijar na boca, fazer mil carinhos antes do amor. Falta tempo para ficar sozinho, degustando uma música totalmente desconectado. Não quero ser localizado, não quero o som que me tira a serenidade e acentua a ansiedade.

Por que todos têm que responder no tempo do que envia algo? Que exigência é essa de ter que dar satisfação no tempo do outro? Que insegurança é essa de não conseguir contato, de não ter tantos likes ou não ser notado após postar algo?

Quantas “marias vão com as outras”, quanto bando de bobos agindo imbecilmente contaminados por um líder dominante e cabeça-oca? Todos movidos pelo excesso de álcool, imoderado e degradante, pois o beber socialmente há tempos foi substituído pelo encher a cara ou por drogas sintéticas e maconhas turbinadas, dessincronizando tribos, partindo para a ignorância, na boate, no jogo de futebol, no encontro da turma.

No relógio do afeto, atrasamos gerações nos quesitos respeito, humanismo e empatia. No tempo das estações, vivemos o inverno longo e glacial, das relações interpessoais e do respeito às diferenças.

Na idade da tecnologia, regredimos ao tempo das cavernas emocional, ao tempo da contradição, da pobreza de espírito, do brincar com o fogo, sem a habilidade de dominá-lo. Palavras ao vento, pois tudo é apenas vaidade, como se diz em Eclesiastes.

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