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Flávio Saliba

Competências, descaso e autoridade nas instituições

Universidades públicas nem sequer conseguem manter a higiene

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PUBLICADO EM 14/09/18 - 03h00

Não há candidato a cargo político que deixe de prometer mais investimentos na saúde, na educação, na cultura e demais serviços prestados pelo Estado. Poucos, no entanto, mencionam a necessidade de aprimoramento da gestão governamental, e, quando o fazem, é da boca para fora. Não tenho dúvidas sobre a necessidade de ampliar os investimentos em quaisquer desses setores, mas nada garante que dotações orçamentárias mais substanciais resultem em maior eficiência na alocação de recursos, caso sejam mantidos os abusos, a irresponsabilidade e a incompetência na gestão dos bens públicos.

O incêndio que destruiu o Museu Nacional parece-me emblemático e atinge em cheio a reputação das universidades federais no que tange à definição de prioridades e ao gerenciamento de recursos. Embora reconhecidas como os segmentos burocráticos menos corruptos da administração federal, não há como negar que muitas delas ficam a dever em termos de eficiência na gestão de recursos financeiros, de pessoal e mesmo na qualidade do ensino.

A mídia divulgou fartamente que, embora não tendo sofrido cortes em seu orçamento, a UFRJ destinou recursos decrescentes ao Museu Nacional, algo em torno de “zero qualquer coisa” do total, correspondentes a meros R$ 250 mil no último ano.

Embora sejam indispensáveis à pesquisa científica e à garantia da liberdade de pensamento na produção acadêmica e, de longe, reconhecidas como os melhores estabelecimentos de ensino superior no Brasil, muitas universidades federais, ou bem têm sido aparelhadas por partidos políticos, ou bem carecem de gestores profissionais. Em caso de necessidade, estes poderiam ser recrutados fora de seus corpos docentes.

Professores pesquisam e ensinam, mas nem sempre conseguem ser bons administradores, por razões que vão da falta de preparo específico a conflitos de interesses envolvendo docentes, discentes e funcionários.

A verdade é que, no Brasil, o que é público é de ninguém. Para não generalizar, falo de instituições acadêmicas que conheci mais de perto, no campo das humanidades. Os furtos cotidianos vão de tampas de vasos sanitários e produtos de higiene a equipamentos eletrônicos de última geração. Como é de se esperar, as humanidades agregam os jovens mais contestadores e participativos nos embates sociopolíticos e, como tal, mais propensos a transgressões de várias ordens. Infelizmente, tais transgressões, por vezes, se evidenciam na pichação e na depredação do patrimônio público. As instalações sanitárias, compartilhadas por professores e alunos, são mais repugnantes que os antigos banheiros de beira de estrada. Como diz o outro, são como cozinha de restaurante: quem vê sai correndo.

Não há nos serviços públicos e, em especial, em suas instituições mais democratizadas, como as universidades, autoridades que se imponham legitimamente para coibir o furto e a depredação de seu patrimônio, ou mesmo para solucionar questões aparentemente banais, como a manutenção de boas condições de higiene e limpeza em suas instalações.

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