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Laura Medioli

Mães

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PUBLICADO EM 13/05/18 - 04h30

Deitada numa madrugada fria, olhava pela décima vez o relógio, esperando a qualquer momento o telefonema de minhas filhas.

– Mãe! Pode vir...

Encontravam-se numa das inúmeras festas de 15 anos que se sucediam. Levantava-me correndo e saía.

E era nessas longínquas madrugadas insones que eu ficava pensando, com certa nostalgia, nas mães que fizeram parte de minha adolescência e juventude.

É interessante constatar que, mesmo após uma geração inteira, as mães continuam as mesmas: preocupadas, cúmplices, pacientes, companheiras... Austeras quando necessário, mas sempre de coração aberto, plenas de incondicional amor e conselhos para todas as horas.

Mães que passavam noites em claro, esperando os filhos retornarem das festas, muitas vezes omitindo ao marido o horário tardio em que regressavam.

Mães que vinham ter aquela “conversa” ao descobrirem escondido na bolsa um maço de cigarros, ou uma conversa de mãe pra filha sobre sexualidade e amor, buscando orientá-la nas suas complicadas e intrínsecas questões sentimentais.

Que sentiam sua dor pelo amor não correspondido, embora soubessem que, naquela idade, paixões eram fugazes como fogo na palha.

Mães que incansavelmente repetiam: “Cuidado com o sol! Passem o protetor, sol é cumulativo...” E aquela ladainha de sempre.

Enfim, mães que vão se repetindo, como se em qualquer época em que vivessem participassem ativamente na vida de suas filhas, mostrando a elas o melhor caminho, não com imposições, mas com conselhos.

Naquela época, o sujeito da pizzaria devia me adorar. Lembro-me de que ligava ao delivery encomendando três “supergigantes” para um bando de garotas e garotos, amigos de minhas meninas, que, esparramados no tapete da sala, assistiam no DVD aos “Friends” da vida.

A cozinha nos fins de semana era um caos, restos de brigadeiro na panela, pipocas no micro-ondas, bolo de cenoura, salada de frutas...

Nos quartos, vários colchonetes, onde, mais tarde (beeem mais tarde), iam descansar do movimento do dia.

Também fui adolescente, também minha casa teve cozinha bagunçada, recheada de chocolate e molhos de cachorro-quente, além de panelas enormes de arroz e estrogonofe. Mas o que mais tivemos em comum, eu e minhas filhas, foram os inúmeros amigos, recebidos com carinho, alegria e enorme disposição.

Plagiando o grande escritor libanês Khalil Gibran, em seu livro “O Profeta”, digo que “nossos filhos não são nossos filhos... vêm através de nós, mas não de nós. E, embora vivam conosco, não nos pertencem”.

Uma verdade, às vezes, difícil de assimilar. Ajudamos a tirá-los de seus casulos, mas os voos são eles que têm de alçar. Orientamos para a melhor direção, mas a escolha cabe exclusivamente a eles. Voamos juntos até onde nos é permitido, pois sabemos da importância de seus voos solitários – nos quais aprendem, com as quedas, que asas feridas, apesar de doloridas, também conseguem voar...

Criamos os filhos para o mundo e, no lugar de amarras, por mais que julguemos difícil, deixamos que somente nossas preces e nosso imensurável amor os persigam...

Dedico esta crônica às mães de minha adolescência e juventude: Joyce, dona Lora, dona Auxiliadora e a minha mãe de sempre, Glorinha – anjo que desceu à Terra sob forma de gente. Gostaria de, mais uma vez, parabenizá-las pelo dia de hoje. A elas e a todas as mães, o meu abraço apertado, repleto de carinho, amor e admiração.

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