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Luiz Tito

2º semestre do fim do mundo

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PUBLICADO EM 31/07/18 - 03h00

Estes últimos dias do mês de julho nos marcam com incômodos sentimentos. Estamos a dois meses das eleições, um momento de expectativa pela renovação dos mandatos do presidente da República, governadores dos Estados, dois terços dos senadores, da Câmara dos Deputados e das Assembleias Legislativas de todo o país. Nunca se viu, que se tenha conhecimento, tamanho desinteresse pelo processo que tem a responsabilidade de reunir em torno de si a sociedade, para com seu voto eleger aqueles que ela considera dignos da sua confiança, capazes ainda de representá-la e devolver, com suas ações, o cumprimento dos programas que se traduzirão em políticas públicas e em leis voltadas para o interesse coletivo.

Das candidaturas à Presidência da República, nenhuma delas até o momento apresentou um programa de governo que oferecesse como um compromisso um plano de metas. Temos um preso candidato, à espera do descuido do STF e do TSE para estender ao máximo a corda do entendimento do Judiciário sobre sua possibilidade de disputar voto ou transferir seu prestígio para outro nome. Temos outro, enxergado como solução para o tão desejado combate à corrupção, à violência, à criminalidade, às mortes nas estradas, à invasão de terras rurais, ao desarmamento, à superlotação dos elevadores, à briga de galos, etc., etc. e mais um pouco. Outra, que sempre renasce nos períodos eleitorais e que agora vem disputar em que posição ficará no certame com uma eventual terceira derrota. O quarto desse grupo dos mais bem-avaliados, uma metralhadora giratória que não deixa perceber com quem estará. Estranho isso: um candidato que não revela de quem deseja o apoio a seu nome. Os demais, até o momento, conforme as pesquisas divulgadas, não empolgaram, por mais notáveis e qualificados que possam ser.

Triste quadro este, que alinha como preferidos aqueles cuja realidade inspira todos os cuidados, seja pela desonestidade, pelo apego às falcatruas, pela desarticulada visão de nossa realidade econômica e social, pela falta de autoridade ou pelo excesso dela, e aí estaremos falando de autoritarismo, que por tudo temos que repelir. Talvez nasça daí a dificuldade das candidaturas, todas, de identificar seus vices para a composição das chapas para a disputa, que está a nossa porta. Quando são bons nomes, não têm partidos com densidade eleitoral ou os tão desejados minutos de televisão. Mal sabem, muitos, que sua sorte está diretamente ligada a quanto menos falarem e serem ouvidos.

Não nos esqueçamos de que toda essa precariedade de opções, de programas e compromissos não revelados, das chapas não formadas, seja para as disputas dos cargos executivos ou mesmo do rol de candidatos ao Legislativo – senadores, deputados federais e estaduais –, é com o que contamos para enfrentar um resto de ano dramático em todos os sentidos, principalmente para sobrevivermos aos desarranjos de uma economia exposta, em frangalhos, com um presidente impopular, sem trânsito no Congresso e sem autoridade para exercer as responsabilidades que tem seu cargo, na companhia de um ministério frouxo e de discutível reputação moral. Se Michel Temer não propuser, como seria estratégico, acelerar a aprovação de uma agenda de reformas que inclua a reforma política e a da Previdência e reafirme a trabalhista, num Congresso já eleito e distante de novas disputas eleitorais, seu legado será o mais pobre e medíocre de todos os seus antecessores. Que Deus o ilumine nessa linha.

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