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Luiz Tito

Crises

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PUBLICADO EM 05/06/18 - 03h00

Impressionantes as consequências da deflagração da greve de dez dias, encabeçada pelos caminhoneiros. Supermercados, Ceasas, farmácias, postos de combustíveis, o segmento do turismo em seus diversos subsetores, escolas, os serviços públicos, polícia, saúde, tudo, enfim, se viu comprometido pela paralisação, que pedia a redução no preço do diesel, dos pedágios, dos impostos que vitimam a categoria em seu ofício, além do pagamento de fretes economicamente mais adequados.

Recebida em seus primeiros dias como válida e, por isso, digna de aprovação pela sociedade, a paralisação só começou a incomodar e depois ficou insuportável, dadas as privações que nos acometeram a todos nós, brasileiros. Uma risonha postagem feita nas redes sociais, mas desservida de comprovação oficial, realçou que durante o movimento não se viram rebeliões nos presídios, guerra de gangues do tráfico, roubos de cargas nas estradas, assaltos, invasão de terras pelo MST, policiais sendo assassinados e muitas desgraças mais. Além de tais “conquistas”, obrigou-se senadores a trabalhar na quinta e na sexta-feira, para votar mudanças na tributação dos combustíveis.

Não se falou, e momento melhor não acontecerá facilmente, em redução de desperdícios, dos abusivos gastos do Legislativo, do Judiciário, no corte dos cargos de confiança que no Brasil chegam a quase 100 mil postos. “A União, os Estados e os municípios estão quebrados”, foi a tônica dos discursos de ministros, senadores, governadores, deputados, prefeitos e vereadores, para não se mexer nos tributos, especialmente o ICMS, que ajuda a remunerar as contradições dos amplos Orçamentos públicos. Não se falou na necessidade de reformas, na revisão da tributação dos bancos, que nunca têm crise porque assaltam impunemente e sem exclusão toda a sociedade, taxando com a criminosa precificação dos juros os cartões de crédito e cheques especiais em até 400% ao ano. Ladrões da economia popular, sem reservas, são os bancos brasileiros.

O governo arrota que reduziu a inflação, mas também não deve estar considerando o valor que se paga pelo botijão de gás, pela energia elétrica, pela majoração diária dos insumos fornecidos às indústrias, como, por exemplo, o coque para produção eletrotérmica, tudo debaixo do monopólio da Petrobras, cuja prioridade hoje é a reparação da sangria, do estrago feito pela quadrilha que de seu controle se apoderou criminosamente nos últimos anos.

No último fim de semana, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, disse, ao final de uma missa a que assistira em seu Estado, que “é preciso rezar pelo Brasil”; sugeriu ainda que se chamassem os pré-candidatos à Presidência da República para que a nação ouvisse deles que solução teriam para aplacar a crise que vivemos. Crises, na verdade. Crise de ignorância e estupidez de significativa parcela da sociedade, Brasil afora, que contribui para eleição de espertos, de corruptos, de ladrões, de boçais, de aventureiros, de idiotas, de palhaços, nestas incluído, em várias delas, o senador Eunício, que quer transferir para o céu a solução dos problemas brasileiros. Um bom exercício para todos nós, sem necessidade de incomodarmos a Deus, seria dedicarmos dez minutos de nosso tempo para avaliar o que fizeram em seus mandatos aqueles em quem votamos nas últimas eleições. Valeu o voto?

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