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Luiz Tito

Lamentável indigência

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PUBLICADO EM 13/03/18 - 03h00

O inegável vazio político, expresso na falta de candidatos confiáveis para as próximas eleições, em todo o país, está permitindo que nomes sem o menor histórico de participação político-partidária se apresentem como alternativas. Esse quadro já vinha se mostrando nos últimos pleitos e provocou renovações, ainda que em menor dimensão, nos Legislativos. Mera substituição de nomes, o chamado “seis por meia dúzia”.

Infelizmente, como esperado, diante das mudanças ocorridas, nada que possibilitasse cunhar modelos diferentes e mais qualificados de nossas representações. Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas, sem rodeios, estão sobrevivendo à custa de nomeações de assessores, geralmente parentes de prefeitos e de outras lideranças mais expressivas junto ao eleitorado da província, prática associada à farta concessão de emendas parlamentares, sempre liberadas de acordo com a necessidade de apoio do presidente da República e dos governadores dos Estados. Minas, lamentavelmente, não é exceção. Muito pelo contrário.

Os chamados “arrivistas da vida pública” estão por aí, tentando afirmar suas candidaturas por meio de promessas vãs, arroubos de ousadia, bravatas e outras sacanagens do gênero. Outros, muitas vezes nem isso, certos de que o passar do tempo os ajudará a chegar quase como única alternativa à porta do gol. O presidente Michel Temer, por exemplo, não se cansa de dizer que não será candidato à reeleição, mas suas mais recentes medidas dão conta de que outro não é seu projeto e o de seu grupo. Ainda que hoje sua rejeição seja altíssima, a esperada recuperação da economia, todavia tímida, o colocaria bem na disputa, mesmo que fosse por exclusão. Triste quadro. Nunca se viu tanto engajamento popular no cotidiano da política, e continuamos enxugando gelo quando a tarefa é a de buscarmos novos nomes, novas ideias, novas formas de construção política.

Em Minas, nada diferente. O MDB foi cerzido com urgência para abrigar as diversas facções que nele mandam e que até anteontem não se olhavam. Cerzido com linha de cerol, parece, porque seus líderes não conseguem se unir em torno de um nome para a disputa do governo de Minas. Os mais antigos rechaçam as aspirações de Rodrigo Pacheco, sob a alegação de que ele acabara de chegar, como deputado de um mandato. Parodiando Romário, estranham que ele, tão recentemente chegado, já queira se sentar à janela. O PSDB, desde que o senador Aécio Neves foi flagrado pedindo a Joesley Batista um empréstimo para pagar seus advogados, nunca mais conseguiu falar a mesma língua. Pior ainda, essa realidade desestimulou a candidatura do senador Antonio Anastasia, um nome praticamente imbatível numa eventual disputa pelo governo do Estado.

No ritmo de Temer, pode-se dizer que a mesma estratégia desenvolve o governador Fernando Pimentel. Embolando o meio de campo, ele vai, conforme a música, “balançando a pança, buzinando a moça e comandando a massa”, pelo menos aquela de seus ainda seguidores. E, para manter essa massa fiel, a receita não é outra senão a mais completa deterioração do patrimônio público e do Orçamento do Estado. E, mesmo assim, atrasando o pagamento de vencimentos de funcionários, apoderando-se de verbas constitucionais de prefeituras, não devolvendo depósitos judiciais, não pagando merenda escolar e comida de presos. A que miséria estamos condenados!

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