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Luiz Tito

Massa de bolo

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PUBLICADO EM 07/08/18 - 03h00

Tal qual massa de bolo, que cresce quanto mais nela se bate, caminham os candidatos à eleição neste ano.

O horizonte, altamente nebuloso nos cenários federal e estadual, contribui para o desinteresse do eleitor, cansado das velhas e eternas promessas, estas, em sua grande maioria, não cumpridas, e muitas delas esquecidas pelo caminho depois de eleitos os candidatos, por desinteresse ou para atender o jogo menor das alianças.

Com um prazo curtíssimo de campanha, as eleições deste ano serão um termômetro da influência da mídia, das redes sociais, do programa eleitoral gratuito de televisão sobre o eleitorado.
Até aqui, no âmbito federal, o que se vê é que, quanto mais se bate em um candidato, mais seus simpatizantes o abraçam.

De um lado, um candidato que, mesmo preso, vai lutando para se credenciar como, senão o único, o mais forte representante da esquerda. Nem um dos maiores fuzilamentos midiáticos da história parece desanimar seus correligionários. Pelo contrário, pesquisas mostram que, a cada novo ato de restrição de sua liberdade, mais eleitores caminham para o lado daquele que se porta como vítima da perseguição.

De outro lado, o candidato de extrema direita é também submetido a verdadeiro linchamento em duas entrevistas na televisão. Resultado: os programas, em grande parte, pela ruindade dos entrevistadores, merecidamente viraram chacota popular, sendo ridicularizados nas esquinas, nas mesas de bar e nas redes sociais.

E o candidato, que acha que tudo pode resolver na bala, foi alçado a mito.

O que na verdade mais se afirma é o flagrante interesse de a esquerda e a direita (essas classificações já estavam esquecidas mundo afora) polarizarem entre si, eliminando os candidatos de centro e as eventuais terceiras vias. E isso feito de forma menor, pelo nível das características e propósitos, ainda que frágeis, valorizados nos candidatos que estão à frente nas pesquisas. Se a esquerda busca apresentar avanços e conquistas sociais por ela empreendidos nos governos petistas, à direita sobrou a insistente denúncia de práticas criminosas de corrupção, malversação de dinheiro público, fraudes as mais notórias, como atitudes de franca degradação moral de nossas instituições e de nossos valores.

Programas, projetos, compromissos para que o Brasil se reencontre com a discussão de agendas melhores, não há em qualquer candidato nem em seus partidos.

O que ou quem vai nos governar? Que Brasil teremos com tais nomes? Os próximos capítulos de nossa história serão escritos pela eficiência em roubar, corromper, em fraudar, e tais práticas vão se justificar pelo que entendem seus agentes como avanços sociais e políticos? Ou, ainda, por aqueles que, em resumida avaliação, enxergam a nação como um quintal e delegam a um troglodita político a faculdade de construir à bala nossos caminhos.

Com tristeza, o que assistimos é que estamos a caminho de nos encontrarmos com uma perigosa realidade, e o remédio da pancadaria, se não for dosado, vai matar o paciente e fortalecer a bactéria.

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