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Márcio Coimbra

Guinada conservadora

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PUBLICADO EM 06/08/18 - 03h00

Bolsonaro segue sendo o principal personagem desta eleição. Isso ocorre não somente por liderar as pesquisas, mas porque tornou-se o centro das atenções dos seus opositores. Entretanto, sua estratégia vai além. Falando de forma simples, diretamente ao brasileiro médio, alcança uma conexão que poucos políticos conseguiram estabelecer com o eleitorado. 

Vivemos tempos de sentimento de renovação e de uma revoada conservadora pelo mundo. É natural, como em outros momentos, que o Brasil seja influenciado por essas ondas. Bolsonaro se aproveita disso e, apesar de ser classificado como raso e superficial, até o momento foi o único que conseguiu posicionar seu discurso nesse sentido. 

A opção de Geraldo Alckmin foi a oposta. Usa modelos antigos, como alianças amplas, privilegiando o tempo de televisão, apoios de políticos tradicionais e divisão dos cargos entre a velha política para vencer as eleições e governar. Contudo, vivemos em um período de entressafra política, que ocorre a cada 30 anos, que tende pela rejeição ao sistema, algo que geralmente resulta em renovação, levando aqueles que se posicionam como outsiders ao poder. 

Assim como Bolsonaro, Alvaro Dias entendeu este movimento, mas não conseguiu, até o momento, criar esta conexão direta com o eleitor. Hoje posiciona-se como uma opção racional entre Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin. O candidato do Podemos, que fala sobre a refundação da República, busca representar um centrismo renovador, sem alianças com as velhas estruturas de poder e tenta dialogar diretamente com as ruas. Corre o risco de não agradar ambos os lados, sendo jogado em um limbo eleitoral estacionado nos 6%. Porém, se sua estratégia vingar, pode drenar eleitores de Alckmin e Bolsonaro e decolar. 

Percebemos que todos estes candidatos buscam transitar na mesma faixa do eleitorado, mas por caminhos opostos. Alckmin segue a trilha mais segura, as vias mais conhecidas, dentro da política tradicional, onde foi forjado.

Alvaro Dias é mais ousado que o tucano, entende mais claramente o movimento do eleitor e busca uma fórmula alternativa, porém com prudência. Bolsonaro resolveu atacar as estruturas tradicionais e posiciona-se como outsider. A hostilidade da mídia tradicional e os ataques viscerais de seus opositores apenas consolidam esta imagem. 

O ponto central do debate é até que ponto o sentimento de renovação será a tônica desta eleição presidencial. Quanto mais reforçado estiver este movimento, maiores as chances de Bolsonaro. Se este sentimento refluir, Geraldo

Alckmin tem mais chances de se viabilizar, com Alvaro correndo por fora nestes dois cenários. O fato central é que o eleitorado mostra uma guinada conservadora e aquele que souber explorar melhor este fenômeno, na calibragem correta, tem grandes chances de chegar ao segundo turno e, inclusive, vencer as eleições. Até o momento, quem soube explorar melhor este caminho foi Jair Bolsonaro. 

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