Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Minas S/A

Anatomia do reajuste

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
Fonte Normal
PUBLICADO EM Mon May 14 03:00:00 BRT 2018

Anatomia do reajuste

Há 40 anos na Cemig, o diretor comercial da concessionária, Dimas Costa, fez uma anatomia da composição do reajuste tarifário que será publicado no final deste mês pela Aneel. Costa diz que, se o percentual nas contas de luz for de 24%, por exemplo, o aumento real para a concessionária será de apenas 4%. “Os outros 20% vão para cobrir encargos federais, que é o custeio de tarifa social, de transporte, de compra de energia através de geração térmica que no ano passado tivemos uma seca, e as bandeiras tarifárias não são suficientes para cobrir isso. Tanto é que a Cemig teve que, do bolso dela, buscar empréstimo de R$ 500 milhões para poder pagar isso”, justifica Costa. Para ele, não está havendo um critério justo que reflita os custos de geração. 

 

FOTO: Edy Fernandes

Na Bienal da Energia da Cemig, o diretor comercial da Cemig, Dimas Costa; a diretora de relações da Cemig, Maura Galuppo e o presidente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, Diomar Silveira.

Desafios

Apesar de toda a crise que atravessou com a perda de quatro usinas no ano passado, Dimas Costa diz que a Cemig tem grande capacidade de receita por conta da área de comercialização. “Temos 20% do mercado de energia elétrica livre do país, (a maior carteira de clientes do Brasil é da Cemig). Somos a maior distribuidora do Brasil”, explica. Mesmo com uma dívida de R$ 11 bilhões que foi reperfilada ao longo de sete anos, os investimentos continuam. Para os próximos cinco anos, o plano de investimento na distribuidora é de cerca de R$ 4,5 bilhões, e na transmissora chega a R$ 2 bilhões. “E, na geração, temos duas usinas (Emborcação e Nova Ponte) que vão vencer a concessão em 2024, então temos que preparar um plano para renovar essas concessões”. detalha. 

Faturamento

Mário Campos conta que o crédito presumido de ICMS, que já existe desde 2008, é de 2,5% sobre o faturamento. A estimativa para este ano é um faturamento de R$ 9 bilhões do setor sucroenergético em Minas Gerais. “É um importante instrumento de simplificação do recolhimento tributário. Não tem aquela discussão do que poderia e o que não poderia ser utilizado como crédito tributário”, explica. Campos diz que a moagem de cana pode chegar a 80 milhões de toneladas nos próximos cinco anos. “Por isso, a importância da manutenção do crédito presumido e da alíquota baixa do etanol de 16%, a segunda menor do país”, ressalta o dirigente. 

Gás veicular

O presidente da Gasmig, Pedro Magalhães, está animado com o projeto do gás veicular (GNV). “A fila (de espera) de veículos para a conversão é de três meses. Estamos conseguindo aumentar o consumo de gás em Minas em 8% ao mês. As convertedoras estão aumentando a capacidade, postos que estavam fechados estão reabrindo, o GNV está começando a pegar fôlego em Minas Gerais”, informa. Além disso, Magalhães tem esperança de que a Fiat tome a decisão de produzir o carro a gás na fábrica de Betim.

 

FOTO: Edy Fernandes

Na Bienal da Energia da Cemig, que reuniu 600 pessoas em BH, os presidentes da Gasmig, Pedro Magalhães, e da Cemig, Bernardo Alvarenga, que está mais animado com o mercado.

Felinju

Detentora de 15% da produção nacional de lingerie, Juruaia, no Sul de Minas, realizou o terceiro maior evento de moda íntima do Brasil. Com a Felinju - Moda e Lingerie de Juruaia, promovida pela Associação Comercial e Industrial de Juruaia, a cidade atraiu um público de 25 mil pessoas e movimentou mais de 20 milhões neste ano. 

 

Desequilíbrio

Dimas Costa admite que o aumento na conta é alto. “Isso tudo é decorrente de um desequilíbrio do setor elétrico que foi agravado com a Medida 579 no qual a Cemig perdeu as usinas (São Simão, Miranda, Jaguara, Volta Grande), e isso deu um desequilíbrio que está refletindo até hoje. Está em estudo uma revisão de todo o setor elétrico de maneira que o consumidor – seja ele residencial, comercial, industrial – pare de ter esse susto: tem hora que reduz tem hora que aumenta, e não há um acompanhamento da inflação, que seria o correto”, defende. 

Bandeiras

Para se ter um reajuste honesto, Dimas Costa diz que primeiro é preciso acabar com esse desequilíbrio social que “uma parte (da população) tem que pagar a outra”. E a segunda ação é na bandeira tarifária que, para o executivo da Cemig, não está adequada. “Em vez de ser R$ 1 a bandeira amarela, que fossem R$ 2. A (bandeira) vermelha, em vez de R$ 3, que fossem R$ 5, porque aí refletiria o desembolso que o país tem com as termelétricas. A energia eólica e solar, com todo o seu benefício, é intermitente: de noite não tem solar e, na hora que para de ventar, não tem eólica. Tem que ter alguma fonte que possa complementar. É um preço que a sociedade paga por não querer usinas hidrelétricas”, afirma. 

 

Crédito presumido

A abertura oficial da safra mineira de cana-de-açúcar em Uberaba, no Triângulo Mineiro, trouxe, além da projeção de moagem de 65 milhões de toneladas do produto, uma notícia que dá alívio ao setor: a manutenção do crédito presumido de ICMS pelo governo do Estado para o setor pelos próximos cinco anos. “Como contrapartida, o setor vai destinar um percentual desse crédito presumido para a manutenção de estradas nas regiões das usinas. Com certeza teremos condição de melhorar acessos, pois somos grandes usuários, além da comunidade, que também usa. Serão reforços em pontes e na pavimentação”, contou Mário Campos, presidente da Siamig, a associação que representa os donos de usinas em Minas Gerais. 

 

FOTO: Siamig/divulgação

Durante a abertura da safra mineira de cana-de-açúcar, em Uberaba, o CEO da CMMA, Carlos Eduardo; o presidente da Siamig, Mário Campos, o presidente do conselho da CMAA, José Francisco, e o presidente da Canacampo, Marcos Brunozzi.

Grafeno

Há um ano na direção da Gasmig, Pedro Magalhães está com um projeto de fabricar o botijão de gás feito de grafeno que pesa 20 kg e tem duas vezes a durabilidade do aço, enquanto o botijão comum pesa 70 kg. “Temos a possibilidade de estar, em seis meses, fabricando (o botijão de grafeno) em Minas Gerais, talvez pela própria Gasmig, para vender para o Brasil”, conta. O produto seria feito em fábricas da região metropolitana de Belo Horizonte.

FOTO: Edy Fernandes

Rosana Marques, presidente da Câmara da Mulher Empreendedora de Juruaia; Dedel Gonçalves (Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo de Juruaia); Claudeci Divino de Araújo, prefeito de Juruaia; e José Antônio da Silva, presidente da Associação Comercial e Industrial de Juruaia.

Rodada de negócios

De acordo com José Antônio Silva, presidente da Associação Comercial e Industrial de Juruaia, o resultado da feira foi muito positivo.”Fizemos mudanças estruturais como um dia a mais de feira e o layout dos expositores, além da primeira rodada de negócios promovida pelo Sebrae e o projeto comprador em parceria com a Federação das Associações Comerciais do Estado de Minas Gerais, com a viagem e estadia de 30 grandes compradores do Brasil”, contou Silva.

O que achou deste artigo?
Fechar

Anatomia do reajuste
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório
Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter