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Paulo César de Oliveira

Jogo inicia-se domingo

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PUBLICADO EM 07/08/18 - 03h00

A semana que passou foi das chamadas “composições e coligações”, com os donos dos partidos fazendo acertos, como de nossa tradição, pouco republicanos. Como disse o ex-deputado Roberto Brant, em entrevista a Sueli Cota para o Blog do PCO no último domingo, nossos partidos têm dono, com registro em cartório.

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, é um burocrata que era assessor de Eduardo Campos e que, com a morte deste, tomou conta do partido e resolve tudo, bastando para isso um “passa-moleque” ou um agrado aos demais membros da executiva nacional.

Para tentar salvar a candidatura de Paulo Câmara à reeleição, em Pernambuco, fez acordo com o PT para que afastasse da disputa a petista Marília Arraes, que ganharia a eleição. O PT vendeu a carreira de sua jovem política em troca da neutralidade do PSB na disputa nacional. 

Há quem diga que o acerto foi um tiro no pé, pois o ex-ministro Armando Monteiro, do PTB, pode surpreender. E Siqueira, para pagar a rasteira em Marília, deu uma pernada em Marcio Lacerda, tirando-o da disputa pela sucessão mineira sem, no entanto, conseguir que o PSB passasse a apoiar a reeleição de Fernando Pimentel. Marcio manteve sua candidatura e terá o apoio do MDB, fortalecendo seu nome.

O alvo de todas a manobra seria prejudicar o candidato Ciro Gomes, uma alternativa da esquerda à quase certa ausência de Lula na disputa. Nessa corrida pelo Palácio do Planalto, o presidenciável Geraldo Alckmin agregou o apoio do centrão e conquistou a correta senadora Ana Amélia – que conheço desde quando era jornalista – para sua vice.

O senador Alvaro Dias – um dos mais preparados – avança no eleitorado e chamou para seu vice o economista Paulo Rabello de Castro, um nome que agrada muito ao setor produtivo. 

Jair Bolsonaro, que é capitão da reserva do Exército, terá o general, também da reserva, Hamilton Mourão como seu vice. O problema é que ele começa a se expor mais e, se por um lado conquista apoios entre a população mais pobre, provoca a ira da classe média, que radicaliza em seus ataques. Hoje ainda no topo das pesquisas, pode ser que não consiga ir para o segundo turno.

No próximo domingo tudo se acerta; os petistas verão que Lula não poderá ser candidato e terão que acender o poste. Agora o jogo começa a ser jogado. A dúvida agora é saber como a disputa presidencial vai impactar os embates estaduais. As composições – ou negociatas, como queiram – descaracterizaram muito as disputas partidárias. O PT busca polarizar o embate com os tucanos numa tentativa de se manter vivo, esquecendo-se de que, primeiro, vai precisar ter um candidato viável. 

Em Minas essa polarização poderia até acontecer, por reflexo da disputa para o Senado, mas Aécio desistiu e Dilma não terá com quem bater boca – o que, de certa forma, tira a razão de sua candidatura por Minas, onde nunca fez política. Importante considerar ainda a indiferença do eleitor, peça fundamental em qualquer tentativa de polarizar ou nacionalizar uma disputa.

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