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Paulo César de Oliveira

Uma sucessão maluca

Uma liderança não está disponível nem em construção no país

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PUBLICADO EM 24/07/18 - 03h00

Nos mais de 50 anos que acompanho a vida política brasileira, nunca havia visto uma sucessão presidencial como a que está em curso. É bem verdade que, ao longo desse período, várias dessas sucessões foram por escolhas indiretas e, até onde se sabe, elas nunca foram tranquilas, com disputas de grupos militares. Mas, agora, faltando pouco mais de 70 dias para irmos às urnas, não temos uma candidatura que empolgue e, pior, nem perspectiva de que se consiga construir uma ao longo da campanha.

O resultado disso é que, por mais absurdo que seja, Lula está preso por corrupção, mas aparece liderando as pesquisas com folga.

O candidato Bolsonaro, que também não se sabe como chegou lá em cima nas pesquisas, já começa a fazer água e até agora não conseguiu se coligar com ninguém. Por isso e por sua própria fragilidade, Bolsonaro não deve chegar ao segundo turno.

O senador Álvaro Dias, ao contrário, vai conquistando mais e mais eleitores, certamente por ser um candidato sério e não estar enrolado em acusações.

O candidato tucano Geraldo Alckmin, depois de quatro bem-sucedidas administrações em São Paulo – um país dentro do Brasil – começou a ganhar fôlego com o apoio do centrão e a possibilidade de ter o empresário Josué Alencar como seu vice.

O nome do PDT, Ciro Gomes, poderia estar com melhores e reais perspectivas de vitória, não fosse seu destempero verbal e postura de valentão, além, naturalmente, do discurso atrasado.

O ex-ministro Henrique Meirelles ainda briga dentro de seu partido, o MDB, para viabilizar seu nome. E Marina Silva patina.

Desta forma, o brasileiro está diante de um “samba do crioulo doido”. Vivemos internamente uma fase de vazio de lideranças. As que apareceram nos últimos anos ou eram ídolos de pés de barro, sem consistência, ou foram ídolos que meteram os pés no barro da corrupção, aumentando a frustração e alimentando a apatia que se vê hoje.

O pior para o país é que liderança não é coisa que se construa de uma hora para outra, com uma boa dose de marketing. Assim, podem surgir vencedores de eleições que, por meio do populismo, conseguem até mesmo a idolatria dos mal-informados e dos mal-intencionados.

Líder político real é respeitado. É alguém capaz de fazer o povo aceitar os apertos momentâneos na certeza de que a melhoria virá. São capazes de conduzir processos de transformação, mesmo com perdas para muitos.

É de alguém assim que precisamos imediatamente. Alguém capaz de promover as reformas necessárias ao país. Alguém que se imponha com autoridade diante dos que fazem política diante do “balcão de negócios”. Que seja capaz de mudar sem autoritarismo, pela autoridade que é capaz de construir consenso, caminho de mudanças reais e duradouras. Até onde a vista alcança, essa liderança não está disponível nem em construção no país. Basta conferir as disputas estaduais.

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