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Paulo Diniz

Para o próximo governador (II): inovando na velha economia

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PUBLICADO EM 07/08/18 - 03h00

O reaquecimento da economia, acompanhado do aumento na arrecadação de impostos e na geração de empregos, deve ser um dos pontos mais importantes da campanha eleitoral de 2018. Em Minas Gerais, o eleitor deve cobrar propostas, considerando o papel do governador no desenvolvimento da economia estadual. Dada a competição de outros Estados pela atração de investimentos, assim como a atuação perversa do governo federal contra a geração de empregos em Minas nos últimos anos, o próximo governador vai precisar agir de forma verdadeiramente inovadora se quiser que a economia mineira cresça a partir de 2019.

Um leitor atualizado em economia vai imaginar que o caminho a ser seguido por Minas no ano que vem deva ser o do investimento em tecnologia relacionada à informática e às comunicações. Certamente, essa fronteira de inovação não pode ser desprezada, e as ilhas de excelência mineiras nesse campo tecnológico devem receber reconhecimento e investimentos. Porém, é bom lembrar que todo o mundo, incluindo as demais regiões brasileiras, participa da euforia dessa nova corrida tecnológica: portanto, mesmo o sucesso nessa empreitada não deve ser capaz de transformar radicalmente a economia e os empregos gerados nas Alterosas.

O grande trunfo do avanço econômico, portanto, não reside apenas nos setores produtivos de vanguarda, tão avançados quanto os da Califórnia, mas sim no fomento adequado aos setores mais tradicionais da economia, como faz também a própria Califórnia.

Sendo o mais rico Estado dos EUA, a Califórnia é hoje conhecida como o principal centro tecnológico do planeta. Porém, o que poucos sabem é que ela também é o Estado que mais gera riqueza agrícola nos EUA, responsável por 13% do total nacional: US$ 47 bilhões em 2015, quase o dobro do segundo colocado, que se dedica a plantar grãos em larga escala. Em contraste, a Califórnia se tornou o Estado que mais exporta gêneros agrícolas dos EUA ao se especializar em frutas e nozes, além de deter a maior produção de laticínios do país. Dessa forma, a base produtiva da Califórnia é capaz de gerar empregos de todos os tipos, desde os que demandam excelência mundial em programação de computadores até os postos de trabalho que envolvem a colheita manual de delicadas alcachofras, figos e pêssegos.

Com grande ocupação da mão de obra, o padrão de consumo geral é alto, e a demanda por produtos e serviços se mantém constantemente elevada, o que aquece a economia como um todo.

Seguir o exemplo da Califórnia, portanto, deve ser percebido pelo próximo governador mineiro não apenas como a necessidade de investimento em tecnologia de ponta, mas principalmente como o apoio a atividades produtivas capazes de absorver bastante mão de obra no curto prazo. Um exemplo pode ser o investimento – em grande escala de recursos, treinamento e planejamento – na agricultura familiar, ainda hoje taxada como reminiscência pouco produtiva do passado por alguns e como um exótico símbolo de valores culturais e ideológicos por outros.

Direcionar investimentos, estudos de mercado, apoio técnico e vontade política para a produção agrícola familiar, assim como para empreendimentos da chamada “economia solidária”, pode ser o caminho para dinamizar e modernizar a economia mineira como um todo. Para tanto, o próximo governador mineiro deve se dedicar a pensar fora dos padrões do paradigma de industrialização e concentração urbana do século XX.

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