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Paulo Diniz

Primeiro debate eleitoral: destaques do ‘show da democracia’

Maioria trocou propostas de governo por slogans sem conteúdo

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PUBLICADO EM 14/08/18 - 03h00

Com a realização do primeiro debate televisionado entre os candidatos à Presidência, tem início o mais colorido capítulo da campanha eleitoral. Longe de suas equipes de marketing, os candidatos devem criar estratégias em tempo real para se posicionar diante de assuntos complexos e, principalmente, frente aos oponentes diretos. Nesse contexto, tanto a imagem quanto o conteúdo transmitidos por cada postulante ao Palácio do Planalto podem ser decisivos para formar a posição de milhões de eleitores, sobretudo a partir de replicações pelas redes sociais.

O potencial para que o candidato perca capital político em um debate é significativo, pois o ridículo, o destempero e a confusão mental podem ser percebidos com facilidade, enquanto propostas efetivas para a solução do déficit da Previdência demandam certo conhecimento técnico por parte do eleitor para serem valorizadas. Ainda assim, os candidatos preferem correr o risco de fracassar em um debate a ficar à margem dos holofotes eleitorais: Lula, por exemplo, usou todos os recursos jurídicos possíveis para tentar participar.

Curiosamente, o único candidato que havia aventado a possibilidade de não comparecer ao debate, Jair Bolsonaro, foi exatamente o que teve o pior desempenho diante das câmeras. Nervoso, desarticulado e com dificuldades para tratar de assuntos alheios à segurança pública, Bolsonaro não conseguiu obter o protagonismo que tem nas entrevistas. Definitivamente, vai precisar se preparar melhor para o próximo debate, deixando de lado o roteiro repetitivo que lhe conferiu notoriedade nas redes sociais.

A maioria dos demais participantes, por sua vez, se esforçou para fazer do debate uma versão ao vivo do horário eleitoral: repetiram seus bordões tradicionais, deixaram a coerência de lado para não se afastarem desse roteiro mecânico e, especialmente, trocaram as propostas de governo por slogans motivacionais sem conteúdo. Guilherme Boulos, Marina Silva, Henrique Meirelles e Geraldo Alckmin se encaixaram nesse padrão enfadonho, com destaque especial para o último. 

Governador do Estado mais rico do Brasil por 12 anos, Alckmin poderia ter embasado suas propostas em programas de governo já executados, citando dados e mecanismos para demonstrar experiência administrativa. No mesmo sentido, seus oponentes poderiam facilmente ter cobrado de Alckmin, com precisão e contundência, os pífios resultados que obteve ao gerenciar o maior Orçamento estadual do Brasil, além de trazer à tona as denúncias que se acumulam sobre corrupção em seu governo; em vez disso, optaram por seguir debatendo com seus próprios umbigos. É por esses fatores, aliados à já notória falta de carisma pessoal, que Alckmin se junta a Bolsonaro como os maiores derrotados do primeiro debate presidencial.

Ciro Gomes e Alvaro Dias, por sua vez, demonstraram agilidade de raciocínio e domínio de conteúdo para propor e embasar ideias. Isso não significa que seriam bons presidentes, apenas que souberam participar de um debate. Por exemplo, a alegação falsa de Ciro Gomes, atribuindo a si próprio o mérito pela despoluição do rio das Velhas quando ocupou o Ministério das Cidades, indica que o cearense tem potencial para ser mais um presidente inimigo de Minas, como tantos outros nos últimos anos.

Por fim, Cabo Daciolo preencheu a cota do pitoresco, sem a qual o debate não mereceria a alcunha comum de “show da democracia”. Que siga o espetáculo!

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