Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Paulo Paiva

Até quando Minas vai liderar os acidentes rodoviários no país?

Maioria das rodovias foi construída nas décadas de 50 e 60

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
f
PUBLICADO EM 09/05/18 - 03h00

A rodovia BR–381, no trecho Belo Horizonte-Governador Valadares, continua ceifando vidas e impondo penas a inocentes, sob a irresponsável omissão das autoridades. Recentemente, foram mortos no esplendor de suas atividades dois profissionais altamente qualificados, deixando o convívio de familiares e amigos. Eu tive o prazer de conhecer um deles, Ronaldo Lenoir, jornalista brilhante e ser humano sereno que transbordava alegria e humor. O outro, Pedro Guadalupe, mais jovem, não conheci. Sei que era empreendedor na área de marketing e comunicação, com promissores projetos em construção. São duas histórias das mais de 230 interrompidas nos últimos 17 meses na mesma estrada da morte. Triste recorde.

Sempre nos períodos de férias e nos feriados prolongados, a resposta sobre os acidentes é a mesma: imprudência dos motoristas, excesso de velocidade e desrespeito às regras de trânsito. 

A competente matéria de Rafaela Mansur e Carolina Caetano na edição deste jornal, no dia 5 passado, indica que somente em 2017 houve 4.177 acidentes na BR–381, correspondendo a 32% do total registrado, no mesmo período, nas rodovias federais que cortam Minas Gerais. “Um terço dos acidentes em BRs ocorre na 381”, denunciou a manchete deste jornal naquele dia. Cabe a pergunta: será que os motoristas que transitam pela 381 são mais imprudentes do que a média de todos que passam pelas estradas de Minas? Certamente, não. A resposta está na inadequação da rodovia ao volume de tráfego. Como a maioria das rodovias federais que cortam Minas Gerais, a 381 foi projetada e construída nas décadas de 50 e 60. Em 1960, a população brasileira não passava de 34% da população atual. A economia era bem menor e menos complexa do que é hoje. A capacidade de carga dos caminhões e a potência de motores dos veículos eram muito menores do que são atualmente. Tudo isso junto mostra que essa rodovia não suporta as atuais condições de transporte.

Em 1991, o governador Hélio Garcia liderou o projeto de duplicação da BR–381 em seu trecho Belo Horizonte-São Paulo. Havia resistência das autoridades do Dnit ao projeto. Hélio Garcia conseguiu a parceria do governador Luiz Antônio Fleury Filho, de São Paulo, e o apoio financeiro do BID para a duplicação, nos trechos com maior movimento – os primeiros 200 quilômetros saindo de Belo Horizonte até o rio Grande e toda a parte no Estado de São Paulo. O presidente Collor assumiu o projeto, e a rodovia foi duplicada. Construídos esses dois trechos, a conclusão foi consequência. 

O mesmo consenso não se obteve no caso da rodovia em seu sentido leste. Ao governo federal faltam recursos. Uma alternativa seria sua concessão para o setor privado. Sabem-se lá quais são as resistências obstruindo esse caminho. Outra, proposta por mim no seminário sobre planejamento de infraestrutura realizado pelo TCU, em 2006, seria utilizar parcela dos 13% da receita líquida real que o Estado transfere anualmente à União, em decorrência do acordo da dívida estadual (Lei 9.496/1967) e, em seguida, fazer sua concessão para a gestão privada. Naquela época havia condições macroeconômicas para uma pequena redução no superávit primário, que seria recuperada no futuro com a outorga e o aumento da receita tributária decorrente da concessão, sendo mantido inalterado o regime de responsabilidade fiscal. 

Nada foi feito. A austeridade fiscal foi abandonada, e vidas continuaram sendo perdidas nas curvas da BR–381. Quantas mortes mais serão necessárias para que as autoridades assumam suas responsabilidades?

O que achou deste artigo?
Fechar

Até quando Minas vai liderar os acidentes rodoviários no país?
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório

Comentários (1)

Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter