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Paulo Paiva

Parábola da competitividade na 1ª carta aos candidatos a presidente

Ela não é uma opção ideológica, mas sinônimo de progresso

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PUBLICADO EM 27/06/18 - 03h00

Depois da Segunda Guerra Mundial, havia dois países muito diferentes, separados por cerca de 20 mil quilômetros, em lados opostos do planeta.

De tamanho continental, às margens do oceano Atlântico, o Brasil entrava em um ciclo de extraordinária expansão econômica, de 7% ao ano, que duraria três décadas, impulsionado pela industrialização por meio de substituição de importações e pela urbanização, graças ao rápido aumento populacional e à transferência de parte significativa da população rural para as cidades na esperança de dias melhores.

Do outro lado do mundo, estendendo-se pela costa oriental da península da Indochina, sobre o golfo de Tonkin, no mar da China, que se abre ao oceano Pacífico, encontrava-se o Vietnã. O país estava dividido desde a primeira guerra da Indochina e, então, tomado pelo conflito geopolítico entre Estados Unidos e Rússia após a Segunda Guerra Mundial, viveria anos de terror e lutas até o final da década de 70. 

Nos anos em que o processo de desenvolvimento econômico transformava o Brasil no gigante da América Latina, com indústria robusta e diversificada, protegida pelo Estado, e com forte expansão demográfica e concentração urbana, o Vietnã era arrasado por bombas mortíferas, sua economia, destruída, e sua população, dizimada. Nessa época, somou mais de 1 milhão de mortos e mais de 2 milhões de mutilados pela destruição implacável do combate sem fim. 

No âmbito da Guerra Fria, dois episódios transformaram esses dois países em objetos da mesma história. Em 1964, os Estados Unidos decidiram entrar na guerra do Vietnã, tornando-a mais violenta e cruel e, no Brasil, os militares deram um golpe, instalando a ditadura, com apoio do governo norte-americano, conforme vastamente documentado.

A partir dos anos 80, o Brasil reconquistou a democracia, no entanto sua economia entrou em período de instabilidade e desaceleração. Em um mundo globalizado, a economia brasileira vem perdendo competitividade.

Ao contrário, após o cessar-fogo, unificada, a República Socialista do Vietnã reorganizou o país, associou-se aos principais órgãos de governança mundial, como as Nações Unidas e a OMC, e reconstruiu sua economia, que, atualmente, é uma das mais pujantes do Leste Asiático.

Os destinos desses países resultam das escolhas diferentes feitas por seus governantes. Segundo o ranking de competitividade do World Economic Forum para 2017-2018, entre 137 países analisados, o Brasil amarga o 80º lugar, enquanto o Vietnã está na 55ª posição.

Uma consequência singela, mas ilustrativa das diferenças nas escolhas políticas, pode ser constatada aqui, em Belo Horizonte. O supermercado Verde Mar oferece a seus clientes belas sacolas retornáveis feitas em ráfia, ilustradas por nosso conterrâneo Ronaldo Fraga.

Pasmem, caros leitores, essas sacolas são fabricadas no Vietnã. Não há nenhum componente tecnológico que justifique sua importação. A razão é simplesmente o custo relativo. Aqui, alta carga tributária, impostos em cascata, legislação trabalhista protetora dos que já têm emprego, encargos sobre a folha de salário para financiar programas do governo e manter organizações patronais e outros custos e ineficiências emperram a economia, travam a competitividade e levam nossos empresários a importar de um país do outro lado do planeta produtos que poderiam estar sendo fabricados aqui, gerando emprego e sendo exportados para o mundo.

Competitividade não é opção ideológica, mas é, sim, sinônimo de progresso, emprego e bem-estar.

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