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Raimundo Couto

O 'salvador da pátria'

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PUBLICADO EM 01/08/18 - 03h00

A notícia que abalou o meio automotivo, na semana passada, foi o comunicado da família proprietária da maioria das ações da Fiat-Chrysler Automobiles (FCA) anunciando a morte do CEO da empresa, o ítalo-canadense Sergio Marchionne, aos 66 anos, em um hospital de Zurique, na Suíça. “Infelizmente, o que temíamos aconteceu. Sergio Marchionne, homem e amigo, se foi”, declarou o presidente do conselho da FCA, John Elkann, herdeiro dos Agnelli. 

Marchionne, como era comumente conhecido, deixa como principal legado uma gestão que simplesmente salvou a então Fiat da bancarrota. Ele foi o primeiro executivo que não pertencia ao clã dos Agnelli a dirigir a fabricante italiana. Passou por uma cirurgia no ombro que acabou se complicando, e uma embolia pulmonar o levou à morte. O executivo é considerado o salvador da companhia, recuperando a Fiat e transformando-a em uma potência internacional. 

Ao longo dos anos, Marchionne superou as resistências, renegociou contratos trabalhistas, fechou fábricas e conseguiu cortes de dívidas e acordos inesperados para a injeção de recursos no caixa da empresa. Sua habilidade para negociação pôde ser testada quando ele exerceu o direito previsto em contrato e acionou a GM a pagar uma multa de US$ 2 bilhões pela desistência da aquisição da Fiat, que esteve em curso durante o ano de 2005. Em 2009, quando a Fiat ainda era considerada uma empresa em crise e o setor automotivo enfrentava a turbulência financeira internacional, o executivo surpreendeu o mundo com a aquisição da norte-americana Chrysler. Orgulho industrial italiano, a Fiat passou a ser negociada nas bolsas de valores de Wall Street, nos Estados Unidos e de Milão, na Itália. Comandado a partir de Detroit e de Turim, o novo grupo ganhou espaço e hoje vale mais de € 60 bilhões, dez vezes mais do que em 2004. 

Marchionne deveria deixar a FCA em abril do próximo ano. “A melhor maneira de honrar sua memória é construir o legado que ele nos deixou, continuando a desenvolver os valores humanos de responsabilidade e abertura dos quais ele foi o campeão mais fervoroso”, acrescentou Elkann. A Ferrari também estava sob a batuta de Marchionne. No último fim de semana, a escuderia prestou-lhe uma homenagem durante o GP da Hungria de Fórmula 1. Para seu lugar, foi designado o chefe da divisão Jeep, Mike Manley, como presidente executivo da sétima maior montadora do mundo. O britânico de 54 anos executará a nova estratégia de médio prazo que Marchionne delineou em junho passado. 

A Jeep e a Chrysler são as marcas de maior sucesso e lucratividade da FCA hoje. Uma curiosidade sobre o falecido chefão da Fiat era que ele sempre utilizava um suéter e raramente aparecia de terno e gravata. 

Marchionne tinha fama de ser um workaholic (viciado em trabalho), sempre pressionando seus subordinados. Sua vida particular quase nunca era comentada, mas ele deixa sua esposa, Manuela Battezatto, e dois filhos. RIP!

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