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Raquel Faria

A terceira onda

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PUBLICADO EM Mon May 07 03:00:31 BRT 2018

A terceira onda

Sempre se soube que a subida dos juros nos EUA e o fim do dinheiro farto no sistema financeiro global provocariam uma nova onda de choques no mercado cambial (a terceira desde 2008), abalando moedas de emergentes. Mas não se previa a turbulência tão cedo. Na última quarta-feira, a coluna escreveu aqui que as expectativas eram de fim da bonança só em 2019/20. Pois elas estavam erradas: no dia seguinte, o peso argentino desabou, de repente, já refletindo o movimento de saída de capitais dos emergentes. O tremor financeiro foi sentido em outros países, inclusive no Brasil, onde o Banco Central interveio para conter o dólar. Pelo visto, a terceira onda de turbulência já começou. E o tranco pode ser mais forte do que aquele que derrubou o país no governo Dilma.

Adeus, retomada

A virada adversa no cenário externo é um complicador para o Brasil e sua economia fragilizada. A crise argentina pode afetar exportações brasileiras e a produção de um setor industrial importante: o automotivo, que vinha ‘dirigindo’ a produção ociosa para o país vizinho. E a alta do dólar dificulta o equilíbrio interno, pressionando todos os preços, inclusive juros. A essa altura, a retomada econômica em 2018 já pode estar no brejo.

Pano de fundo

Alguns analistas políticos estão ligando recentes demissões na ALMG a atritos entre o presidente da Casa, Adalclever Lopes, e o líder do governo, Durval Ângelo, em torno da vaga aberta de conselheiro do TCE. Já outros veem a rixa como mais um sinal do desgaste nas relações MDB-PT. E há ainda aqueles que concordam com ambas as versões.

FOTO: Anna Castelo Branco/Rede Fotonovela

Leandro Lopes e Rachel Aguiar

Alianças tardias

Segundo a nota assinada pelo presidente Agostinho Patrus, o partido está hoje “concentrado em sua articulação interna, buscando consolidar a chapa de candidatos a deputados”. Por suposto, a questão do apoio a chapas para o governo ficou em segundo plano. Mas não é só o PV que está agindo assim. Os partidos sem candidato próprio, preocupados com as eleições de seus parlamentares, estão deixando outras decisões para depois. As alianças em apoio a nomes para governador tendem a ser fechadas neste ano somente nos últimos dias, ou últimos minutos, dos prazos fatais.

Impacto intenso

O impacto se mostra mais intenso na Argentina, mas o choque é espalhado. Neste ano, até aqui, enquanto o peso perdeu 10,29% do valor, o rublo russo caiu 8,97%, a lira turca 6,76% e o nosso real, 5,23% (dados Economática). Tudo pela alta dos juros norte-americanos a partir de junho, ou seja, os capitais reagem a um movimento ainda por ocorrer. O choque sentido até aqui é a ventania que precede a tempestade. O grande teste de estresse será na hora em que o Fed nos Estados Unidos começar a sugar dinheiro por meio de juros. Cedo ou tarde, parte dos trilhões derramados nos mercados para evitar o crash de 2008 teria que voltar aos bancos centrais. Esse dia está chegando.

Custo social

O governo Macri conseguiu debelar o vendaval desta semana com doses cavalares de juros e mais cortes fiscais, que inviabilizam o crescimento da economia e devem levar a novo salto da pobreza no país. Os argentinos pobres já são 27% da população. Serão mais até o fim deste ano.

Viés de alta

A presidenciável do PCdoB, Manuela D’Ávila, está em crescimento nas redes sociais, segundo quem entende do assunto.

Não tucanou

O PV enviou nota à coluna dizendo que não mantém, no momento, tratativas com nenhum outro partido para coligações majoritárias em Minas. É uma maneira de negar que está negociando apoio ao tucano Anastasia.

Nada é certo

Além do foco na eleição proporcional, está dificultando o fechamento de alianças majoritárias a falta de nitidez do quadro eleitoral. O cenário está confuso para a tomada de definições. E os partidos oscilam em seus rumos. No caso do PV, por exemplo, há expectativas de apoio da legenda tanto no PT quanto no PSDB. Na semana passada, o pêndulo parecia se inclinar para o lado tucano. Mas, como se viu pela nota do partido, nada está garantido.

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