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Raquel Faria

Eleição do atraso

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PUBLICADO EM Mon Jun 11 03:00:00 BRT 2018

Eleição do atraso

A essa altura do ano, em todas as eleições desde os anos 80, a maioria dos candidatos já tinha fechado marqueteiro, alianças principais e um esboço de plano de governo. Agora, os presidenciáveis vão chegando próximo das convenções partidárias em julho sem nada organizado e com quase tudo por definir: chapas, coligações, programa. Os postulantes ao Palácio do Planalto ainda não contam sequer com um vice, à exceção de Guilherme Boulos, do PSOL, que já lançou a indígena Sônia Guajajara. Com as sucessões estaduais não é diferente: os candidatos a governador seguem atrasadíssimos em suas ações eleitorais, assim como os aspirantes a mandatos legislativos. A campanha não deslancha. Está presa, amarrada.

Estado de choque

Um profissional do Ibope, com base nas últimas pesquisas do instituto, definiu assim o estado de espírito da população: “O brasileiro está em choque com tudo o que vem assistindo no país”. O eleitor atônito explica o candidato desnorteado. 

 

Bolsomentel

A direção nacional do PR não pretende vetar ou desaconselhar o apoio do partido à reeleição de Pimentel em Minas, se fechar apoio a Bolsonaro na campanha presidencial. “A eleição nacional é uma, a estadual é outra”, disse um parlamentar do partido em defesa do voto Bolsonaro-Pimentel.

FOTO: Anna Castelo Branco/Rede Fotonovela

Andréa Victor e Giana Marcellini em jantar beneficente.

De filho para pai

O vice-governador e presidente emedebista Antônio Andrade não está se apresentando como candidato nos eventos do partido, mas poucos apostam que ele ficará fora da chapa, já que precisa de mandato para manter o poder político. Se não surgir melhor opção, o cacique do MDB deve disputar uma vaga de deputado federal, assumindo a candidatura que vem construindo supostamente para o filho Eduardo Andrade, ex-presidente da Gasmig.

Bate na muralha

Se não as alianças e chapas não fluem não é por falta de tentativa. Tanto os candidatos como os dirigentes de partidos não param de conversar entre si. Ocorre que as articulações não saem do lugar, muitas delas desencontradas e erráticas; chegou-se ao ponto de um mesmo partido, PR, ser cogitado por candidatos tão antagônicos como Lula e Bolsonaro. Os candidatos estão inseguros e desnorteados demais para fazer escolhas, tomar decisões. Não conseguem compreender o eleitor. Não importam quantas pesquisas façam, eles se deparam com uma muralha de rejeição e indiferença no eleitorado. E não fazem ideia de como atravessá-la. 

 

Presos com Lula

Também o Datafolha espelhou o marasmo eleitoral em pesquisa publicada ontem em que se repete o mesmo quadro de meses atrás, com Lula vitorioso em tornos os cenários e influenciando até 47% dos eleitores (30% certos e 17% possíveis). A prevalência do lulismo como força capaz de determinar o segundo turno e o resultado final é outra muralha a travar o processo. Segundo o Datafolha, enquanto o petista estiver no páreo, tudo deve seguir empacado. Em resumo: a campanha foi aprisionada junto com Lula.

Mistureba

A possível opção ‘bolsomentel’ dos perristas mineiros pode não ser o único voto esdrúxulo nessa eleição. Outros partidos estão desvinculando apoios nacionais dos estaduais para buscar alianças pragmáticas. Para melhorar as chances de candidatos a deputados, vale qualquer mistureba.

Acelerando

Os preços ao consumidor já começam a refletir a alta do dólar, subindo mais rapidamente e absorvendo parte dos aumentos ocorridos no atacado. A inflação de julho pode chegar a 1%, no ritmo atual. Não demora a que a taxa anualizada do IPCA, hoje de 2,8% em 12 meses, volte ao patamar de 4% ou mais. Parece pouca diferença, mas tem impacto no consumo. 

 

Ato e consequência

O PSDB paga um preço altíssimo pelo apoio a Temer. Se Aécio não tivesse contestado a eleição de Dilma e aberto a porta para o impeachment dela, o cenário hoje seria totalmente diferente para os tucanos. Possivelmente, com Dilma ainda governando, o PT estaria levando todo o desgaste da crise atual e o PSDB estaria com tudo para vencer as eleições no país.

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