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Raquel Faria

Golpe na cultura

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PUBLICADO EM Wed Jun 13 03:00:00 BRT 2018

Golpe na cultura

É incomum um ministro vir a público para criticar duramente uma medida do próprio governo. Pois é o que fez o titular da Cultura, Sergio Sá Leitão, inconformado com a MP do Fundo Nacional de Segurança Pública, o Susp, cuja criação está prejudicando outro fundo, o da área cultural. “Trata-se de um imperativo ético”, disse o ministro ao justificar a sua oposição à medida e anunciar que irá “trabalhar incansavelmente” para modificá-la no Congresso. A reação dá uma ideia da monstruosidade gerada no Planalto.

Visão obscura

Tirar verba da cultura para financiar mais um plano ineficaz na segurança é mais que desperdício de recursos. É retrocesso, obscurantismo, atraso. Se a turma no Planalto estivesse ligada no século atual, saberia que a cultura nunca foi tão importante como agora, transformada em vetor essencial do desenvolvimento humano e econômico; entenderia que o investimento na cultura, por seu elevado potencial de geração de renda e inclusão social, é uma arma poderosa no combate à violência, mais eficaz certamente que o mero aumento do aparato de repressão policial pretendido com o Susp.

Nem tudo é ruim

Há um lado bom na disparada do dólar: as nossas exportações rendem mais dinheiro. Minas Gerais sente isso no recolhimento da Cfem, o royalty dos minérios, que subiu 36,7% neste ano até maio em comparação a 2017. A cifra apurada em quatro meses foi de R$ 461 milhões, um alento para os cofres do governo estadual, que recebeu R$ 129,8 milhões; o restante do bolo foi dividido entre os municípios mineradores.

FOTO: Anna Castelo Branco/Rede Fotonovela/divulgação

Luiz Cláudio Chaves e Ana Maria Diniz Braga

Protesto da copa

Muita gente afirma que vai ignorar os jogos do Brasil ou torcer contra a seleção; vestir a camisa canarinho, nem pensar. De modo espontâneo e sem combinação, essas pessoas estão assumindo uma atitude de rejeição à Copa que expressa um protesto pessoal e voluntário, seja pela corrupção dos cartolas, soberba dos jogadores, vergonha do país ou outra razão. Motivos não faltam. Resta ver se a raiva do torcedor indignado resistirá à primeira vitória de Tite e sua equipe.

Opção política

No fundo do poço de sua impopularidade, Temer decidiu explorar o clima de insegurança no país com mais uma ação espetaculosa após a intervenção militar no Rio – aliás, inócua. E para tanto esvaziou o Fundo Nacional de Cultura, cuja parte na receita lotérica cai de 3% para 1% e 0,5%. Talvez esse fundo não pareça importante para muita gente e a cultura possa viver sem ele. Mas não é essa questão. Não se trata só do dinheiro. Trata-se da escala de prioridades do governo, tão equivocada e injusta no caso da MP do Susp que passa a ser antiética, como lembrou bem Sérgio Sá.

Base da modernidade

Segundo o Minc, as atividades culturais e criativas representam 2,64% do PIB. São 200 mil empresas/instituições, que geram 1 milhão de empregos. O setor já não é pequeno (pouco menor que o PIB mineral de 4%). E cresce explosivamente no país: 9,1% na média entre 2012 e 2016, muito acima de outros setores e até de ramos do agronegócio. Para além de seu significado mais difundido de um conjunto dos valores, artes e costumes de um povo, a cultura é base de um dos mais promissores mercados no mundo moderno.

Vai bem, obrigado

No momento a mineração não tem do que se queixar do seu mercado. Os ventos só sopram a favor. Basta ver a evolução das ações da Vale, que subiram mais de 80% entre julho e maio e seguem se valorizando apesar da turbulência nas bolsas. Os preços do minério de ferro e das commodities em geral começaram bem o ano, sustentados pela demanda em alta no mundo em crescimento. Agora, no mês passado, ganharam o reforço da alta forte do dólar, que eleva os valores em reais das exportações nacionais.

Seca histórica

O sentimento nos meios publicitários mineiros é de desânimo e prostração. As agências estão sem perspectivas: o mercado privado parou de investir em publicidade, e o setor público não poderá contratar durante a campanha eleitoral. Para piorar, os débitos do governo estadual com as empresas se acumulam. Os próximos meses de anunciam de seca histórica no setor.

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