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Raquel Faria

Impacto profundo

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PUBLICADO EM Tue Jul 10 03:00:00 BRT 2018

Impacto profundo

As trapalhadas do judiciário em torno de Lula causaram um grande estrago institucional. Ontem, havia gente falando em desmoralização da Justiça e no fim da Lava Jato. Tal prognóstico pode conter algum exagero produzido no calor dos acontecimentos. Mas, ele aponta na direção certa: o imbróglio abalou a credibilidade do judiciário, ou melhor, o que restava dela. Antes do solta-prende Lula, 82% já diziam ao Datafolha confiar só um pouco ou nada nesse poder. Agora, os parcos 18% de confiança nos tribunais e seus magistrados podem evaporar. Impactos mais intensos devem ser esperados na campanha eleitoral. Ao dar margem à suspeição de sua conduta, o juiz que personifica a Justiça no caso, Sérgio Moro, radicalizou o eleitor de Lula. E isso pode radicalizar todo o processo político.

Efeito manada

A fidelização lulista já vinha em alta, traduzindo-se em maior influência do ex-presidente no voto do seu eleitor. O Datafolha apurou em janeiro 27% que votariam “com certeza” no nome indicado por Lula; em abril o índice subiu para 30%, que é mais ou menos a intenção de voto no petista. Ou seja, quem vota em Lula promete votar no seu sucessor. Talvez o eleitorado do petista não cresça em número, mas a obediência tende a aumentar junto com a convicção e a fidelidade. As próximas pesquisas deveriam apurar se o eleitor disposto a votar no presidente indicado por Lula também acataria agora sugestões do petista para governador, senador e deputado.

Gestão de espólio

A matemática eleitoral também explica a estratégia isolacionista do PT. É visível que o partido não está fazendo força para fechar alianças. Há uma razão pragmática: se caminhar sozinho ou apenas com uns poucos e bons aliados, o PT poderá capitalizar para si o grosso dos 30% (ou 33%) de lulistas fieis. Ao não dividir o espólio de Lula, o PT se coloca em enorme vantagem: os seus candidatos irão disputar votos cativos de um terço do eleitorado, enquanto os postulantes dos outros mais de 30 partidos estarão digladiando entre si pela fatia de 39% de eleitores difusos.

Dores do calote

Mais que os servidores públicos, estão sofrendo com as dificuldades do governo mineiro em honrar compromissos financeiros os fornecedores de serviços ao Estado e seus respectivos funcionários. No caso de empresas, os atrasos de pagamento chegam a meses. Um leitor escreveu que ainda não recebeu serviços prestados em outubro de 2017.

Convicto é fiel

Depois de domingo, ficou difícil achar lulista não inteiramente convencido de que o ex-presidente é um preso político, alvo de perseguição e injustiça. Se antes esse eleitor acreditava em tal versão, agora tem certeza. E o eleitor convicto, seja à direita ou esquerda, é sempre mais radical em seu ponto de vista. Ou seja, o exército lulista ficou mais enfático e duro. Há divergência entre marqueteiros e pesquisadores se o episódio turbinará as intenções de voto em Lula. Uns acham que sim, outros não. O que se pode apontar como tendência altamente provável é o aumento da lealdade do lulista ao seu líder: o eleitor mais convicto também é mais fiel, sempre.

Barba, cabelo e bigode

‘A influência de Lula virou uma questão central na campanha por causa da matemática eleitoral. Na última pesquisa presidencial, divulgada pelo Ibope no fim de junho, a torta estava assim dividida: 33% para Lula, 39% para todos os demais candidatos e 33% de nulos e indecisos. Se o ex-presidente conseguir manobrar para seus candidatos um terço do eleitorado, ele poderá não apenas levar um escolhido ao 2º turno presidencial como também eleger número imprevisível, mas certamente expressivo, de aliados nos governos estaduais e no Congresso. Com o eleitorado mais cativo graças a Moro, Lula pode fazer barba, cabelo e bigode nas urnas.

Os super premiados

FOTO: Anna Castelo Branco/Rede Fotonovela

A equipe de artistas e técnicos de “Berenice e Soriano”, musical da Oitis Produções que levou o maior nº de troféus no Prêmio Copasa/Sinparc 2017, incluindo o de melhor espetáculo infantil, e que vem sendo aplaudido de pé em suas apresentações no Teatro Francisco Nunes.

Ladeira acima

Com o IPCA de 1,26% em junho, a inflação acumulada em 12 meses saltou de 2,86% em maio para 4,39% em junho. E não deve parar aí. Os efeitos da greve de caminhões podem estar passando, mas a alta do dólar continua pressionando preços. Oxalá a inflação fique abaixo de 6% ou 7% em 2018.

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