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Raquel Faria

Mito das chuteiras

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PUBLICADO EM Thu Jun 14 03:00:52 BRT 2018

Mito das chuteiras

O desinteresse no Brasil pela Copa, hoje no recorde de 53%, cresce há pelo menos 24 anos, quando o Datafolha passou a pesquisá-lo. Pode ser uma tendência histórica a julgar pela trajetória dos índices, nitidamente ascendente embora com fortes oscilações. O desinteresse era 20% em 1994, recuou a 10% após o penta em 2002 e voltou aos 20% em 2010, para então escalar até os 30%. Em plena Copa no Brasil, o desinteresse marcou 28% depois de um pico de 36%. Há uma natural relação entre o clima interno e a empolgação da torcida; em todo país é assim. Mas, mesmo com desconto do protesto, o alto desinteresse põe em cheque a unanimidade do futebol entre brasileiros. Essa Copa está derrubando o mito da pátria das chuteiras.

Verdade à tona

A redemocratização liberou o brasileiro do dever de gostar do esporte dito nacional. E a emancipação feminina fez o resto. Um filme sobre o namoro tumultuado entre um corintiano e uma palmeirense, Romeu e Julieta, traz uma cena emblemática da relação feminina com chuteiras: na trama uma mulher revela ao marido que odeia futebol, depois de 30 anos fingindo o contrário pelo casamento. A maioria das mulheres não gosta de futebol. Elas não passam de 25% nos estádios. E vão deixando o hábito de suportar o esporte para ficar de boa com companheiros, amigos, etc.

Reunião da indústria gráfica mineira

FOTO: Acervo Abigraf/Rede Fotonovela/divulgação

Ricardo Faria, Carlúcio Gonçalves, Luiz Carlos Dias Oliveira e Anderson Pádua; os dois no centro são os presidentes anterior e atual da Abrigraf-MG e do Sigemg

Sem explicar

Resende argumentou ser “comum” a contratação de aviões pela PBH desde o governo passado, quando a prática foi questionada e considerada legal pela Justiça. Mas ele não tocou no ponto que mais interessa ao cidadão: legal ou não, por que alugar jatinhos se BH possui linhas aéreas diárias para Brasília, e ainda mais para agendas marcadas com antecedência?

Tremor na praça

A agência Máquina da Notícia, uma das gigantes nacionais em relações públicas, acaba de fechar o escritório em BH sem aviso aos funcionários, clientes e terceirizados. Há temor de um grande calote na praça.

Pátria militar

É uma pena não se ter pesquisas sobre Copa nos anos 60 e 70, auge do regime militar. A comparação seria valiosa para testar o mito. É provável que naqueles tempos de patriotismo ufanista, em que o governo estimulava o culto de símbolos nacionais, o desinteresse pela Copa fosse mínimo ou inconfesso; quem viveu o período sabe que torcer pela seleção era dever tão importante quanto assistir aulas de Moral e Cívica. O mito da pátria das chuteiras pode ter nascido antes, mas ganhou ares de verdade com os militares, que usaram o futebol como elo da nacionalidade e expressão da cidadania, à falta de liberdade para outras manifestações de brasilidade.

Pega no tranco

Na Copa de 2014, o desinteresse pela Copa teve um pico de 36% em junho, antes do início dos jogos, e depois baixou a 28% no meio do campeonato em julho. Ou seja, muito torcedor começou indiferente e foi se envolvendo durante o certame. É possível que ocorra o mesmo agora, com o interesse aumentando à medida que a Copa for acontecendo. A torcida pode pegar no tranco, especialmente a seleção lhe entregar vitórias.

Explicando

O procurador geral de BH, Tomáz de Aquino Resende, criticado na Câmara pelo gasto de R$ 63,1 mil em viagem de um dia a Brasília, foi se explicar no Facenook. E jogou a peteca para Alexandre Kalil. Em seu post ele disse que o valor se refere “exclusivamente ao fretamento” de um avião pela PBH. Segundo Resende, seu papel era acompanhar o prefeito. Mas, Kalil se sentiu mal e o designou para representá-lo na capital.

Pistola

Cara de mau, cenho franzido e atitude desafiadora: o canarinho criado para mascote da torcida nacional é uma expressão criativa do brasileiro raivoso e belicoso que emergiu dos protestos no país. Não à toa, o personagem anda fazendo muito sucesso, sobretudo entre os jovens. O mascote ganhou apelidos que o definem muito bem: Canarinho Pistola ou Canarinho Putaço. Para os fãs ele é um ‘putaço’ em dois sentidos, por estar enfezado e por ser demais.

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