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Raquel Faria

O eleitor molotov

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PUBLICADO EM Fri Jun 22 03:00:59 BRT 2018

O eleitor molotov

Indague a qualquer pesquisador sobre o eleitor de Bolsonaro e a resposta estará na ponta da língua. O perfil é sabido. O bolsonarista típico é homem branco entre 20 e 50 anos que integra ao menos um desses três segmentos: policial/militar, religioso fundamentalista e agronegócio. Em geral não é pobre. Pauta-se por um binômio simples: defesa do que considera ‘valores de família’ e busca de segurança pessoal/patrimonial. O bolsonarista se destaca pela convicção do apoio e forte identificação com o candidato: é conservador e extremado como seu líder. Acredita na eficácia de soluções ‘enérgicas’, com uso de força e autoritarismo. Parece indignado e propenso à violência. E não raro possui arma. Esse homem no auge da vida e forma, radical e inflamado, é o novo e explosivo protagonista no cenário político.

Macho protetor

As mulheres são minoria no eleitorado bolsonarista, mas não menos fieis. Várias saíram em defesa do candidato após o site “Os Novos Inconfidentes” publicar matéria sobre a reação feminina ao machismo de Bolsonaro. A julgar pelos comentários, a bolsonarista projeta no candidato o seu ideal de um homem viril e protetor, que cuida e provê. Ela pode até trabalhar e ser independente, mas sua zona de conforto está em casa, no papel de esposa e mãe. A bolsonarista é a mulher que se sente bem e segura ao lado de um homem do tipo que vota em Bolsonaro.

Nostagia do século

Supremacia masculina nos empregos e no poder, a mulher reinando no lar de famílias configuradas no padrão heterossexual convencional, um mundo polarizado entre comunistas e capitalistas: os ideais do eleitor bolsonarista revelam uma profunda nostalgia de uma sociedade mais simples, previsível e controlável que deixou de existir na era pós-globalização. Em todo o planeta, há gente com saudades do século 20. O problema é que o mundo não vai voltar pra trás, ainda que se tente explodi-lo.

Última cartada

Há entendimento jurídico de que Lula deixará de ser ficha suja e então poderá ser candidato se o STF aceitar o seu último recurso judicial, em que solicita suspensão da pena de prisão até o fim do processo. A questão será julgada na próxima terça-feira. Os petistas já estão com os dedos cruzados.

FOTO: Anna Castelo Branco/Rede Fotonovela

Ana Lúcia de Lorenzo, Lusmeiry Maia, Alba Limma e Alessiane Batoni

Dogmas e armas

O bolsonarista não defende ideias e, sim, dogmas. Ele crê em suas verdades com uma fé que beira o fanatismo. Daí a agressividade muito superior a de eleitores dos outros candidatos. E um de seus principais dogmas é a tese eugenista do ‘bandido bom é bandido morto’, que justifica a maior bandeira do bolsonarismo: a liberação do porte de armas. Aliás, armas são um componente tão essencial como os dogmas no universo bolsonarista. É difícil hoje, se não improvável, encontrar um brasileiro branco que tenha armas, por trabalho ou esporte, e não vote em Bolsonaro.

Americanismo

Reza a lenda que Bolsonaro já bateu continência para a bandeira dos EUA. De fato, as referências à nação norte-americana são recorrentes no discurso bolsonarista até por ser o maior exemplo da política de uso de armas que ele apregoa; um raro caso de país desenvolvido onde o comércio de armas é legal e os cidadãos podem ter arsenais bélicos em casa. O americanismo desse eleitor também ter a ver com sua aversão total ao ‘comunismo’, que hoje é expresso pela China, o novo grande rival dos EUA.

Depois da Copa

Muitas definições eleitorais vão ficar para depois da Copa, até por uma coincidência de calendários: o período de convenções partidárias começa em 20 de julho, cinco dias após o jogo final do campeonato. No período que vai dessa data até o dia 5 de agosto, finalmente o quadro de candidaturas dos partidos será fechado e conhecido. A exceção pode ser o PT, que deve empurrar a decisão sobre a eventual substituição de Lula mais pra frente.

Ação em dupla

O pré-candidato a senador do SD, Dinis Pinheiro, pode ter como suplente o ex-governador Alberto Pinto Coelho, do PPS, seu amigo e aliado. Consta nos bastidores que, no momento, os dois negociam o apoio conjunto ao tucano Anastasia na disputa do governo do Estado.

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