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Raquel Faria

Pagando pra ver

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PUBLICADO EM Sun May 13 03:00:00 BRT 2018

Pagando pra ver

Na sexta-feira, políticos tanto do governo como da oposição concordavam numa avaliação: a reedição este ano da aliança PT-MDB em Minas já ficou improvável, quiçá impossível. Ao longo da semana os petistas mantiveram o diálogo com emedebistas e minimizaram o rompimento do presidente da ALMG, Adalclever Lopes, com Pimentel. Mas não deram nenhum sinal de ceder às pressões do MDB por coligação que ajude a reeleger as bancadas emedebistas. A chantagem do impeachment não funcionou, ao menos até agora: passado o susto inicial, o governador e o PT colocaram em dúvida se a ameaça é pra valer. E decidiram pagar para ver.

Dando as cartas

Quem está dando as cartas no MDB, ao que parece, é o vice-governador Antônio Andrade. Como presidente estadual, Andrade tem poder sobre a burocracia partidária e simplesmente deixou de tomar providências legais em relação a diretórios dos governistas, cuidando de regularizar apenas os dos seus correligionários. O resultado é que ele readquiriu o controle sobre a máquina. Hoje, na avaliação do Palácio da Liberdade e de fontes internas, Andrade venceria a convenção do MDB. E ele trabalha abertamente pelo principal candidato de oposição a Pimentel, o tucano Anastasia.

Decisão no voto

A estratégia dos articuladores governistas tem sido a abordagem individual, para garantir apoio de cada deputado que queira manter influência e cargos no Estado. O governo já se arma para um enfrentamento; entendeu que o impeachment acabará sendo objeto de alguma deliberação na Casa. E o que valerá é o placar de votos. O fato é que na primeira decisão colegiada sobre o assunto, Pimentel e Adalclever, ou governo e oposição, vão ter que baixar todas as cartas e mostrar as suas forças.

Vista grossa

A maioria dos analistas brasileiros está tratando a crise argentina como um evento isolado e menor; mais uma recaída resultante de desajustes internos. Subestimam-se os efeitos da mudança no fluxo internacional de capitais. Em menos de um mês, US$ 5,5 bilhões já saíram dos mercados emergentes de dívidas, num movimento de manada com impacto direto sobre a cotação das moedas nacionais. E nada indica que vá parar por aí.

Os libertados

O divórcio com petistas será libertador para muitos no MDB que apoiavam constrangidos o governo Pimentel. Dias atrás, quando a aliança com o PT ainda estava o radar, um deputado lamentou: “Infelizmente vamos ter que carregar esse caixão por mais quatro anos”. Agora, pelo visto, não mais.

Nada na mão

O governo vê Adalclever enfraquecido para liderar um impeachment. O chefe do Legislativo encontraria resistência na bancada do próprio MDB: de 13 deputados, nem a metade iria contra o governador. Ou seja, Adalclever não teria trunfos para jogar pesado contra Pimentel. Na visão governista, ele já perdeu o mando no MDB, não reunindo mais apoios internos para fechar acordos ou conduzir o partido em qualquer direção.

Debaixo do pano

Um manto de silêncio caiu sobre a ALMG após o pedido de impeachment e o rompimento de Adalclever com Pimentel. A casa esvaziou, os deputados calaram. A maioria se recolheu à moita para não tomar posição numa briga que surpreendeu todos e desagradou a muitos. Todavia, a portas fechadas, reuniões se sucederam. Não há mais diálogo institucional entre PT e MDB, mas os governistas dos dois partidos seguem conversando. E não foram poucos os emedebistas que vêm reafirmando apoio ao governo.

FOTO: Anna Castelo Branco/Rede Fotonovela/divulgação

Eurides Alves, Sandra Alves, Fabrício Dias e Edilene dos Santos.

Bola da vez

Também não dá para ignorar a concentração das manadas no continente latino, com saídas de US$ 1,2 bilhão apenas na semana mais turbulenta. Mostra de que capitais não fogem somente da Argentina é a desvalorização recente do peso mexicano e do real brasileiro. A nossa região é a que mais assusta hoje os investidores internacionais.

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